27/Aug/2026
A ampliação das isenções concedidas a pequenas refinarias para o cumprimento das metas de mistura de biocombustíveis nos Estados Unidos pode provocar impactos de longo prazo sobre os produtores de soja e milho do país. A Associação Americana da Soja (ASA) avalia que o aumento das isenções poderá reduzir a demanda por combustíveis renováveis e afetar a receita dos produtores. Há relatos de que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) poderá aprovar um número de pedidos de isenção significativamente superior às projeções anteriores do governo dos Estados Unidos. Nesse cenário, cerca de 500 milhões de galões, equivalentes a 1,89 bilhão de litros, de demanda por diesel renovável à base de biomassa poderiam ser eliminados. A redução da demanda resultaria em aproximadamente US$ 1 bilhão em perdas de receita para os produtores de soja. O senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, avaliou que a indústria de biocombustíveis sofreu perdas superiores a US$ 6 bilhões na última ocasião em que a EPA concedeu isenções a pequenas refinarias em escala semelhante à atualmente especulada, envolvendo 1,8 bilhão de créditos de combustíveis renováveis, conhecidos como RINs.
Na mesma avaliação, os créditos de combustíveis renováveis recuaram até 78%, enquanto os preços da gasolina chegaram a subir 12%. O cenário anterior reforça a preocupação de produtores e representantes do setor com uma possível ampliação das isenções, diante dos efeitos sobre a demanda por biocombustíveis, os preços dos créditos e a remuneração das cadeias de soja e milho nos Estados Unidos. A Associação Americana de Soja (ASA) alertou que as isenções para pequenas refinarias (Small Refinery Exemptions, SREs) referentes ao ano de cumprimento de 2025 do Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS) podem alcançar cerca de 1,8 bilhão de créditos de Número de Identificação Renovável (RIN). O volume é quase o dobro do projetado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) na regra final de Obrigações de Volume Renovável (RVO) para 2026/27. A ampliação das isenções poderá eliminar a demanda por cerca de 500 milhões de galões, equivalentes a aproximadamente 1,89 bilhão de litros, de diesel renovável à base de biomassa e provocar perda estimada de US$ 1 bilhão em receita para os produtores de soja dos Estados Unidos.
A ASA considera que uma redução dessa magnitude na demanda doméstica representaria pressão adicional sobre as margens dos produtores. Os sojicultores norte-americanos operam com margens apertadas para manter a sustentabilidade financeira das propriedades e, nesse cenário, teriam pouca capacidade de absorver uma retração adicional da demanda interna. A entidade avalia que o governo dos Estados Unidos vinha adotando medidas para ampliar os mercados de biocombustíveis produzidos com matérias-primas locais e defende a rejeição de propostas que alterem a fórmula de cálculo das isenções em benefício das refinarias de petróleo em detrimento da agricultura e das comunidades rurais. A ASA também defende que a EPA mantenha as concessões de isenções nos níveis originalmente projetados com base em dados históricos de mercado. A discussão ocorre em um momento de elevada sensibilidade dos preços da soja no mercado norte-americano ao consumo doméstico e ao ritmo de esmagamento.
Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção norte-americana de soja na safra 2026/27 foi projetada em 123 milhões de toneladas, com produtividade média de 1,43 tonelada por hectare. O esmagamento de soja opera em ritmo recorde nos Estados Unidos, reduzindo a disponibilidade exportável e mantendo o balanço relativamente apertado diante das compras da China. Na safra nova, as aquisições chinesas já somam 1,7 milhão de toneladas. Nesse contexto, a manutenção das metas de mistura previstas no RFS é considerada pela ASA um dos pilares para sustentar a demanda por óleo de soja, contribuir para a sustentação das cotações do subproduto e preservar a rentabilidade dos produtores. Uma eventual ampliação das isenções para pequenas refinarias poderia reduzir a demanda por diesel renovável e, consequentemente, enfraquecer um importante canal de consumo para o óleo de soja no mercado norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.