26/Aug/2026
O milho deve manter sustentação no mercado brasileiro com a colheita da 2ª safra de 2026 perto do fim, consumidores mais ativos e produtores resistentes a vender nos atuais níveis. A combinação entre demanda doméstica recorde, exportações firmes e perspectiva de redução dos estoques de passagem já começou a mudar a formação dos preços. Resta menos de 10% da 2ª safra de 2026 a colher no País, com os trabalhos concentrados principalmente no Paraná e em partes de Goiás, enquanto Mato Grosso praticamente encerrou a colheita. Com a oferta nova deixando de pressionar as cotações, o foco passa para a demanda.
A previsão é de demanda recorde para ração e etanol, além da exportação firme. No mercado físico, os compradores elevam as indicações, mas os vendedores ajustam as pedidas na mesma direção. A resistência do produtor tende a ganhar peso conforme diminuem os volumes ainda comprometidos. Grande parte do milho anteriormente negociado, inclusive em operações ligadas à compra de insumos, já foi entregue. O milho que está sobrando agora ele vai usar como ativo financeiro. Os produtores que dispõem tanto de soja quanto de milho têm preferido fazer caixa com a oleaginosa e carregar o cereal diante da expectativa de valorização.
Os consumidores tendem a buscar cobertura antecipadamente, principalmente diante do risco climático para a próxima temporada. A possibilidade de El Niño aumenta a preocupação com o calendário da safra 2026/27 e, posteriormente, com a janela da 2ª safra de 2027. É provável que os consumidores venham para o mercado para se proteger, comprar e garantir abastecimento. A combinação entre menor pressão de colheita, compradores mais presentes e produtores pouco dispostos a vender deve manter os preços sustentados no curto prazo. A reação, porém, ainda ocorre com baixa liquidez e depende de necessidades pontuais, já que o avanço das propostas dos compradores tem sido acompanhado por pedidas mais altas dos vendedores.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, os compradores indicam entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada curta e pagamento em setembro, enquanto os produtores indicam a partir de R$ 55,00 por saca de 60 Kg, com alguns lotes indicados até R$ 60,00 por saca de 60 Kg. Recursos de entregas já realizadas reduzem a necessidade de venda imediata. Em São Paulo, na região de Campinas, os compradores indicam R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em setembro e pagamento em outubro, enquanto os vendedores indicam entre R$ 70,00 e R$ 71,00 por saca de 60 Kg. No porto, as indicações são de R$ 69,70 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá para setembro e de R$ 71,50 por saca de 60 Kg CIF, para outubro.