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26/Aug/2026

Clima na América do Sul pode elevar preços futuros

Segundo avaliação da AgResource Company, os futuros de milho na Bolsa de Chicago podem alcançar US$ 6,00 por bushel ou superar esse patamar caso a próxima safra da América do Sul enfrente problemas climáticos. A consultoria estima um déficit global de produção de até 30 milhões de toneladas no ciclo atual e considera limitada a possibilidade de recomposição da oferta antes das colheitas sul-americanas, em 2027. Nos Estados Unidos, a parcela das lavouras de milho classificada entre boa e excelente caiu 3% na última semana, para 57%, o menor nível para o período desde 2023. Levantamentos de campo da AgResource e do Pro Farmer Crop Tour reforçam a percepção de produtividade abaixo da tendência, especialmente nas áreas atingidas pela seca no oeste de Iowa. A consultoria trabalha com rendimento americano próximo 11,1 toneladas por hectare.

Nesse cenário, os estoques dos principais países exportadores ficariam nos menores níveis desde 2020/21. Após os ajustes nas estimativas de produtividade e no balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos, o mercado dos principais exportadores tende a apresentar um dos quadros mais apertados desde 2020/21 e, em uma perspectiva mais ampla, das últimas duas ou três décadas. A produção mundial de milho poderá ficar até 30 milhões de toneladas abaixo do consumo neste ciclo, com possibilidade de déficit ainda maior. Entre os principais exportadores, a produção deve recuar entre 47 milhões e 50 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. Somada à redução prevista de 47 milhões de toneladas na produção de trigo, a perda de produção dos dois cereais se aproxima de 100 milhões de toneladas. A América do Sul passa, assim, a ter papel central na recomposição da oferta global.

Mesmo em um cenário de produtividade dentro da tendência e condições climáticas normais, a previsão é de queda de cerca de 9 milhões de toneladas na produção sul-americana de milho. Em condições menos favoráveis, a redução poderá alcançar entre 10 milhões e 15 milhões de toneladas. No Brasil, a atenção está voltada para o retorno das chuvas ao centro-norte do País. Embora ainda não haja indicação concreta de problemas, o início e a regularidade das precipitações serão determinantes para o calendário de plantio da soja e, consequentemente, para a definição da janela de semeadura do milho 2ª safra. A principal questão é se o período chuvoso estará estabelecido até o fim de setembro. O possível El Niño amplia as incertezas. Embora o fenômeno seja historicamente favorável à Argentina, seus efeitos tornam o desempenho da 2ª safra brasileira de 2027 menos previsível, especialmente em função de eventuais atrasos no plantio da soja e da redução da janela ideal para a semeadura do milho.

Outras origens também apresentam riscos para a oferta global. As exportações de milho da Ucrânia seguem lentas, enquanto a seca avançou sobre partes das pradarias canadenses nas últimas semanas, deteriorando os índices de saúde da vegetação de canola, cevada e trigo de primavera. Nos Estados Unidos, a produção de sorgo deve recuar mais de 100 milhões de bushels, equivalentes a cerca de 2,5 milhões de toneladas, o que tende a ampliar a utilização do milho na alimentação animal. A pressão sazonal da colheita americana poderá provocar recuos pontuais nas cotações nas próximas semanas, mas a entrada da nova safra no mercado físico tende a proporcionar apenas alívio temporário ao balanço global. A China continua solicitando ofertas de soja norte-americana, sinalizando que não houve mudança no quadro geopolítico relacionado às sanções contra o Irã. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.