26/Aug/2026
Segundo a Stag International, a possibilidade de redução da produtividade do milho dos Estados Unidos no relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tende a dar suporte aos preços na Bolsa de Chicago, mas não deve, isoladamente, alterar de forma decisiva o equilíbrio entre oferta e demanda. Stag projeta que o USDA reduza a produtividade oficial dos Estados Unidos no relatório previsto para 11 de setembro para a faixa de 11,17 a 11,23 toneladas por hectare, ante 11,34 toneladas por hectare estimadas em agosto. Nesse cenário, os estoques finais seriam reduzidos de 42,0 milhões para 39,6 milhões de toneladas. A relação entre estoques e consumo recuaria de 10,1% para 9,6%, movimento considerado moderado. A limitação do impacto sobre o balanço decorre da possibilidade de que preços mais elevados reduzam parte da demanda. O USDA poderá diminuir a projeção de utilização de milho para alimentação animal e outros usos domésticos, além de trabalhar com um ritmo menor de exportações.
Dessa forma, uma produção menor não necessariamente resultaria em estoques finais significativamente mais apertados. A expectativa de redução da produtividade do USDA ganhou força após o Pro Farmer Crop Tour, principal levantamento privado de campo sobre a safra norte-americana, estimar produtividade média de 10,88 toneladas por hectare para a temporada 2026/27. Contudo, o resultado do Pro Farmer não determina o tamanho final da safra. As condições das lavouras apresentam diferenças significativas entre os Estados e, em alguns anos, houve divergências expressivas entre a estimativa do levantamento privado e o número final divulgado pelo USDA. A produtividade final permanece sujeita às condições observadas durante a colheita. Apesar de não projetar alteração brusca no balanço norte-americano, a Stag mantém uma avaliação mais favorável para o milho do que para a soja.
A consultoria também identifica espaço para valorização da diferença de preços entre os contratos futuros de milho com vencimento em julho e dezembro de 2027, cenário reforçado pelos resultados do Crop Tour. A avaliação considera ainda o quadro global de oferta. Os estoques mundiais de milho estão entre os menores dos últimos anos, aumentando a necessidade de preços suficientemente atrativos para estimular os produtores dos Estados Unidos a ampliar a área plantada com o cereal na próxima temporada. Os riscos logísticos no Mar Negro e as consequências do conflito envolvendo o Irã também representam fatores adicionais de sustentação para os preços. A combinação entre esses riscos, a possibilidade de redução da safra norte-americana e os níveis mais baixos dos estoques mundiais tende a manter suporte para as cotações na Bolsa de Chicago, embora uma eventual revisão do USDA em setembro represente mais um ajuste no balanço do que uma mudança estrutural no quadro de oferta e demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.