25/Aug/2026
O mercado brasileiro de milho começa a semana sustentado por uma combinação de câmbio, avanço das exportações, maior presença da indústria e incorporação de riscos para a próxima safra. Esses fatores ajudam a explicar por que os preços estão em alta mesmo com a colheita da 2ª safra de 2026 ainda em andamento e uma oferta considerada boa no País. Quatro fatores influenciam esse movimento. O primeiro é o câmbio ganhou força nas últimas duas semanas e chegou a levar o dólar acima de R$ 5,20 em alguns momentos, o que interfere na formação de preços. O segundo fator é a mudança de foco para a próxima temporada. Com a colheita nacional próxima de 85% e praticamente encerrada em Mato Grosso, o mercado começa a incorporar o risco do El Niño sobre a safra de verão (1ª safra 2026/2027) e, posteriormente, sobre a janela da 2ª safra de 2027.
O terceiro fator de sustentação vem das exportações, que começam a ganhar ritmo sazonalmente, embora ainda estejam abaixo do observado no ano passado. A menor presença do Irã pode estar pesando sobre os embarques, enquanto os preços brasileiros permanecem relativamente elevados frente a concorrentes. Ainda assim, a entrada do milho nos portos adiciona demanda justamente quando a pressão da colheita começa a perder intensidade. Por fim, os compradores domésticos voltaram a aparecer com mais força. Parte da indústria esperava uma queda mais acentuada dos preços durante a colheita e não realizou toda a cobertura necessária. No mercado físico, essa melhora aparece de forma pontual, ainda com liquidez restrita.
No Paraná, na região de Ponta Grossa, os compradores indicam entre R$ 66,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF no mercado interno, para entrega curta e pagamento entre o fim de agosto e setembro. No Porto de Paranaguá, as indicações estão entre R$ 68,50 e R$ 69,00 por saca de 60 Kg CIF, com relatos de negócios a R$ 70,00 por saca de 60 Kg. Em Mato Grosso, na região de Sorriso, o mercado está mais firme, mas continua limitado pela distância entre compradores e vendedores. Os compradores indicam entre R$ 45,00 e R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB no disponível e entre R$ 50,00 e R$ 51,00 por saca de 60 Kg, para retirada em outubro. Os produtores buscam entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg. Boa parte dos produtores já vendeu o necessário e agora tenta carregar o cereal à espera de preços mais elevados no fim do ano.