25/Aug/2026
Segundo a Standard Grain, os resultados do Pro Farmer Crop Tour reforçaram a percepção de que a safra de milho dos Estados Unidos poderá ficar abaixo da estimativa atual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), aumentando o potencial de valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. Os preços atuais ainda não são suficientes para reduzir a demanda e uma produção menor poderá exigir novas altas para equilibrar o mercado. O Pro Farmer estimou a produtividade média nacional em 10,9 toneladas por hectare, e a produção em 389,7 milhões de toneladas. O USDA projeta produtividade de 11,3 toneladas por hectare, e produção de 406,7 milhões de toneladas. Parte da diferença em relação às expectativas ocorreu no enchimento dos grãos. Embora as lavouras apresentassem bom aspecto visual a partir das estradas, as equipes do levantamento encontraram espigas com comprimento de grãos inferior ao esperado após a abertura das palhas. Nas áreas periféricas do cinturão produtor, Dakota do Sul, Nebraska, Ohio e Indiana também apresentaram contagens de espigas abaixo das expectativas.
Iowa, principal Estado produtor de milho dos Estados Unidos, foi um dos principais pontos de atenção do levantamento. O Pro Farmer estimou a produtividade estadual em 12,2 toneladas por hectare. A produtividade de Iowa é considerada determinante para uma safra recorde ou ao menos próxima da tendência, mas os resultados do tour não confirmaram esse cenário. As estimativas do Pro Farmer ainda não são definitivas e, historicamente, o levantamento costuma apresentar números de milho inferiores aos divulgados posteriormente pelo USDA. A diferença observada neste ano, contudo, foi considerada suficiente para alterar a percepção do mercado. A reação foi observada nos contratos futuros. O movimento refletiu o aumento da incerteza sobre a oferta e a necessidade de reavaliação das projeções de produção. A valorização também reduziu a disposição dos produtores norte-americanos para comercializar a nova safra. As vendas de milho da safra nova praticamente pararam nos últimos dias diante da possibilidade de uma produção menor.
Ao mesmo tempo, grandes gestores ampliaram as posições compradas. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostraram compras líquidas de 56 mil contratos de milho na semana encerrada em 18 de agosto, elevando a posição comprada para 182 mil contratos, o maior nível desde o fim de maio. A demanda externa, contudo, permanece como um ponto de atenção. As vendas antecipadas de milho da nova safra dos Estados Unidos estão 30% abaixo das registradas em igual período do ano anterior. Caso essa diferença persista após a recente valorização dos preços, o mercado poderá trabalhar com projeções menores para as exportações norte-americanas. A relação entre estoques e consumo também passa a ser um indicador relevante para a formação dos preços. Caso o indicador fique abaixo de 10%, o nível de preços de US$ 5,00 ou mais por bushel ganha maior sustentação, especialmente diante da avaliação de que os estoques globais de milho também estão mais apertados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.