24/Aug/2026
Os preços do milho continuam em alta no mercado brasileiro. Apesar do avanço da colheita da 2ª safra de 2026, os recentes aumentos das cotações internacionais e do dólar e as preocupações sobre o clima no final do ano influenciam os avanços dos preços no Brasil. Neste contexto, os vendedores se retraem ainda mais, tanto na comercialização no spot quanto para entrega futura e exportação. Notícias indicando queda na produtividade das lavouras dos Estados Unidos, o que pode reduzir a oferta global do cereal, impulsionam as cotações internacionais. O contrato Set/26 da Bolsa de Chicago registra avanço de 6,8% nos últimos sete dias, a US$ 4,78 por bushel, retomando o patamar de maio deste ano.
Nos Estados Unidos, de acordo com dados divulgados no dia 17 de agosto pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), das lavouras de milho do País, 60% estão em condições entre boas e excelentes, 1% menor que na semana anterior, mas 11% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Ainda, 25% das lavouras estão em condições médias e 15%, entre ruins e muito ruins. Além disso, as perspectivas desfavoráveis para a produção na União Europeia e as incertezas sobre o conflito no Mar Negro também dão suporte aos preços futuros. Os preços nos portos brasileiros registram forte alta. No Porto de Paranaguá (PR), o avanço é de 3,9% nos últimos sete dias, para R$ 70,07 por saca de 60 Kg, e no Porto de Santos (SP), de 2,3%, para R$ 68,89 por saca de 60 Kg.
As exportações brasileiras totalizaram 2,2 milhões de toneladas nos primeiros 10 dias úteis de agosto, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Caso o atual ritmo de embarques seja mantido, esse volume pode chegar a 4,65 milhões de toneladas no final do mês, superando o observado em julho, mas ainda abaixo dos 6,84 milhões exportados em agosto de 2025. Assim, espera-se que volumes expressivos sejam embarcados até o final do mês, devido às entregas dos lotes negociados antecipadamente, pois as vendas no spot seguem enfraquecidas. Refletindo as preocupações com a oferta nas próximas semanas e aguardando valorizações mais expressivas, os vendedores limitam o volume de mercadoria para negociações, enquanto os compradores indicam necessidade de aumentar os valores para compra, no intuito de recompor estoques.
Nos últimos sete dias, as altas são de 2,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,9% no mercado de lotes (negociações entre empresas com o produto limpo e seco), com destaques para as regiões de Chapadão do Sul (MS), Ponta Grossa (PR), Rio Verde (GO) e Sorriso (MT), com avanços de 5,8%, 2,8%, 6,7% e 4%, respectivamente, no mesmo período. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP), registra alta de 2,5% nos últimos sete dias, a R$ 67,74 por saca de 60 Kg. Na parcial do mês, o avanço já é de consideráveis 4%. Na B3, impulsionados pelas altas internacionais, os valores apresentam reação expressiva. O contrato Set/26 tem alta de 2,7% nos últimos sete dias, a R$ 71,34 por saca de 60 Kg. O vencimento Nov/26 também tem acréscimo significativo de 3,4% no mesmo período, para R$ 76,93 por saca de 60 Kg.
A colheita da 2ª safra de 2026 foi finalizada na última semana em alguns estados como Maranhão e Tocantins e se aproximou da reta final em Mato Grosso e Goiás, com a média nacional colhida alcançando 84,7% até o dia 14 de agosto, mas ainda abaixo dos 86,6% da média das últimas cinco safras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que a colheita só não foi finalizada na região sudeste do Estado, com média estadual colhida de 99,94% e avanço semanal de 0,84%. Em Mato Grosso do Sul, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) aponta que a colheita chegou a 63,9% da área até o dia 14 de agosto.
No Paraná, algumas regiões já se aproximam da reta final com o clima favorável às atividades, enquanto as precipitações interrompem os trabalhos em outras localidades. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), 73% da área da 2ª safra de 2026 havia sido colhida até o dia 17 de agosto, com 91% das lavouras estão em bom estado, 7%, em condições médias e apenas 2% estão em situação ruim. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita tem sido limitada pela umidade elevada, chegando a 81,3% da área nacional colhida até o dia 20 de agosto. No entanto, apesar dessas condições, as perspectivas de produtividade seguem em linha com as expectativas iniciais, o que permite manter a estimativa de produção em 64 milhões de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.