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21/Aug/2026

Preços do milho sustentados e negociação pontual

O mercado brasileiro de milho deve encontrar algum suporte no crescimento da demanda doméstica ao longo do segundo semestre, mas a evolução das exportações continuará decisiva para definir a intensidade de uma eventual recuperação dos preços. O avanço do consumo, puxado principalmente pelo etanol de milho, reduz parte da pressão sobre a oferta, mas o País ainda precisa manter embarques robustos para evitar aumento dos estoques. A cautela com os embarques ocorre justamente no período em que o milho brasileiro costuma ganhar mais espaço nos portos.

Agosto, setembro e outubro concentram parte importante do fluxo, mas a menor presença do Irã, principal comprador do cereal brasileiro no ano passado, limita o avanço. As compras iranianas recuaram 43% entre janeiro e julho na comparação anual, enquanto Egito, Vietnã e Argélia ampliaram as aquisições. A dúvida, porém, é se esses destinos conseguirão compensar a perda de demanda iraniana. A concorrência externa também deve seguir intensa. A Argentina, após colher uma safra recorde, aparece mais competitiva que o Brasil e pode ampliar fortemente seus embarques. Do lado doméstico, a sustentação é mais clara. O uso de milho para etanol deve avançar, com possibilidade de aumento adicional caso a mistura E32 permaneça em vigor pelo período previsto.

No Paraná, na região de Maringá, o cereal começa a mostrar mais força, embora ainda dependa de operações de cooperativas, com uso de piso e financiamento, para girar volumes. No Porto de Paranaguá, a indicação é de R$ 71,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em setembro e pagamento em 15 de outubro. No interior do Estado, há registro de negócios de cooperativas entre R$ 65,00 e R$ 66,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada curta e pagamento em setembro. Com a exportação mais aberta e o mercado interno buscando recompor estoques, os compradores terão dificuldade para trabalhar abaixo de R$ 60,00 por saca de 60 Kg no interior.

Em Mato Grosso, na região de Rondonópolis, o milho disponível permanece firme. Há registro de negócios a R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada até 30 de novembro e pagamento em setembro. A oferta é restrita e o produtor evita vender grandes volumes. Para 2ª safra de 2027, há registro de negócios a R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB em raio de até 100 quilômetros de Rondonópolis, sentido terminal, para retirada em outubro e pagamento em outubro de 2027. Apesar das referências mais altas, a liquidez segue limitada. O produtor vende apenas quando precisa liberar caixa ou ajustar posição. A negociação é pontual.