21/Aug/2026
A Datagro projeta alta dos preços do milho no mercado brasileiro em 2027, sustentada pelo avanço da demanda e por um balanço doméstico mais ajustado. A estimativa de déficit é de 7,2 milhões de toneladas no balanço brasileiro em 2026/27, mesmo com produção prevista em cerca de 147 milhões de toneladas, ante aproximadamente 145 milhões de toneladas na safra atual. O cenário de maior sustentação das cotações tende a contribuir para a preservação de margens positivas no campo, com lucratividade inicialmente estimada em cerca de 10% para o milho na próxima temporada. O principal vetor de expansão do consumo doméstico está na demanda das cadeias de proteína animal e de etanol.
O consumo está estimado em 61,8 milhões de toneladas de milho pelo segmento de proteína animal em 2025/26 e deve haver aumento de quase 3 milhões de toneladas em 2026/27, acompanhando o crescimento da pecuária na Região Centro-Oeste e no Matopiba, região que compreende áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia. O etanol de milho amplia sua participação como importante fonte adicional de demanda. O Brasil conta atualmente com cerca de 33 usinas que processam milho para produção do biocombustível, enquanto outras 19 estão em construção e 17 possuem projetos em desenvolvimento.
O número de unidades pode mais que dobrar nos próximos cinco a seis anos. Para 2026/27, a projeção é de destinação de cerca de 32,5 milhões de toneladas de milho ao setor de etanol, ante aproximadamente 2 milhões de toneladas em 2017/18. O cenário internacional também contribui para uma perspectiva mais firme para as cotações. Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago acumulam alta de quase 12% em 12 meses, em meio à expectativa de menor oferta global e manutenção de uma demanda firme. A combinação de oferta mais ajustada, consumo elevado e estoques menores tende a reduzir a folga dos balanços mundiais e favorecer preços internacionais mais elevados em 2027. A produção de milho deve recuar nos Estados Unidos e na Argentina em 2026/27.
As perdas combinadas nos dois países são estimadas entre 25 milhões e 30 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, a redução deve ficar em torno de 25 milhões de toneladas, após períodos de seca durante o desenvolvimento das lavouras. Mesmo com a queda, a produção norte-americana deve permanecer como a segunda maior da série histórica. Observa-se sinais de recuperação no mercado internacional de grãos após três a quatro anos de preços mais pressionados. Embora ainda seja prematuro caracterizar o movimento como início de um novo ciclo de alta, a combinação de oferta mais ajustada, demanda firme e estoques menores aponta para preços internacionais mais sustentados em 2027 do que em 2026.
O movimento tem sido liderado inicialmente pelo trigo, com efeitos também sobre milho e soja. No Brasil, entretanto, a perspectiva de preços mais firmes ocorre em um ambiente de produção ainda desafiador. Os custos elevados, o crédito mais restrito e mais caro e o atraso na aquisição de insumos para a próxima segunda safra limitam a capacidade de planejamento dos produtores. Apenas cerca de 20% a 25% dos insumos destinados ao milho de inverno haviam sido adquiridos até o momento, mantendo em aberto parte das decisões relativas à área cultivada e ao nível tecnológico a ser empregado no próximo ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.