21/Aug/2026
O mercado brasileiro de milho deixou para trás a fase de maior pressão da colheita e passa agora a depender principalmente da disputa entre demanda interna e exportações para definir o rumo dos preços. O tamanho da 2ª safra de 2026 já está amplamente incorporado às cotações, enquanto o consumo doméstico firme começa a ganhar peso na formação do mercado. Eventuais ajustes nas estimativas de produção daqui para frente não devem ser suficientes, por si só, para provocar movimentos relevantes. O mercado já entendeu qual é o tamanho da safra. Pode ter algum ajuste para cima, mas nada que vá ser um gatilho nem para altas nem para baixas. O mercado já precifica uma 2ª safra de 2026 entre 110 milhões e 115 milhões de toneladas e começa a deslocar a atenção da oferta para o consumo. O crescimento da demanda industrial e da alimentação animal deve disputar parte do milho disponível com o mercado externo durante o segundo semestre.
Esse movimento já aparece na curva futura. O contrato novembro de 2026 acumula valorização próxima de 10% em relação ao piso observado em julho, durante o pico da colheita. Não há risco de falta de milho, mas existe liquidez e interesse suficiente, tanto doméstico quanto externo, para sustentar maior competição pelo cereal nos próximos meses. No lado exportador, a concorrência com Argentina e Estados Unidos será forte até o fim do ano e os embarques brasileiros devem ficar mais próximos dos volumes registrados na temporada passada, com pouco espaço para crescimento expressivo. Nesse cenário, o suporte aos preços tende a depender menos de uma aceleração excepcional das exportações e mais da combinação entre embarques regulares e consumo doméstico robusto. Há demanda, tanto interna quanto externa, pelo milho brasileiro neste segundo semestre. O mercado interno de milho segue com liquidez limitada, mas os preços ganham sustentação onde a oferta é mais curta.
No Paraná, na região de Cascavel, o mercado travou depois da pressão de venda vista na semana passada, quando parte dos produtores precisou escoar milho com problema de qualidade. Para retirada no spot e pagamento em setembro, os compradores indicam entre R$ 61,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB. No CIF, a indicação está entre R$ 64,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg, para entrega em setembro e pagamento em outubro. Para retirada em outubro e pagamento em novembro, os compradores indicam entre R$ 63,00 e R$ 64,00 por saca de 60 Kg FOB. Os exportadores indicam R$ 72,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em setembro. Setembro ainda pode ter venda para abrir espaço ao trigo, mas de outubro em diante o vendedor mira patamares mais altos, na faixa de R$ 70,00 por saca de 60 Kg. Em Mato Grosso, na região de Sinop, os compradores indicam entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em outubro e pagamento em novembro. Apenas lotes pequenos têm sido negociados. Para 2ª safra de 2027, os compradores indicam entre R$ 49,00 e R$ 49,50 por saca de 60 Kg FOB, com negócios pontuais a R$ 50,00 por saca de 60 Kg, para retirada em agosto com pagamento em setembro.