21/Aug/2026
O risco de menor oferta passou a dominar a formação dos preços do milho e tende a sustentar os contratos futuros na Bolsa de Chicago no curto prazo. A Stag International aponta como principais fatores a possibilidade de nova revisão negativa da produtividade nos Estados Unidos, a comercialização ainda lenta dos produtores brasileiros, os problemas logísticos no Mar Negro e a quebra da safra europeia. Esse conjunto reduz a flexibilidade da oferta física e pode exigir preços mais elevados para estimular novas vendas dos produtores ou limitar o crescimento da demanda. Os contratos futuros de milho acumulam alta de cerca de US$ 0,30 por bushel desde que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a produtividade norte-americana para 11,34 toneladas por hectare, no relatório de oferta e demanda de agosto.
Apesar da ampliação da área cultivada, o USDA também reduziu os estoques finais após elevar a projeção de exportações. Após a valorização dos futuros, os compradores recuaram temporariamente do mercado, levando os prêmios FOB no Brasil e nos Estados Unidos a cair cerca de US$ 0,10 por bushel. A redução dos prêmios, contudo, não compensou integralmente a alta dos futuros, mantendo os preços globais do milho acima dos níveis anteriores ao Wasde de agosto. Os primeiros resultados do Pro Farmer Crop Tour, levantamento de campo realizado anualmente por analistas e produtores para avaliar as condições da safra norte-americana, reforçam o risco de produtividade inferior à projetada pelo USDA. Em Ohio e Dakota do Sul, os rendimentos observados ficaram abaixo das médias dos três anos anteriores. Em Indiana, a produtividade média recuou 8% ante o ano passado e 5% em relação à média de três anos.
O resultado reflete os efeitos de calor registrado anteriormente, problemas de polinização e, posteriormente, excesso de chuvas. Os levantamentos do segundo dia do Pro Farmer Crop Tour mantiveram a percepção de risco, embora com diferenças entre as regiões. Em Indiana, os danos provocados pelas enchentes históricas foram menores que o inicialmente estimado, mas as lavouras apresentaram atraso na maturação e componentes de produtividade mais fracos, principalmente em relação ao número de espigas. Em Nebraska, os sinais para a produção foram mais negativos, com perdas de 8% a 12% em algumas áreas avaliadas, especialmente em lavouras de sequeiro afetadas por noites quentes e problemas de polinização.
No Brasil, a comercialização lenta dos produtores continua limitando a resposta da oferta física à valorização das cotações internacionais. Paralelamente, o conflito no Oriente Médio elevou os custos de frete, enquanto os riscos logísticos no Mar Negro mantêm incertezas sobre a disponibilidade de grãos para exportação. Nesse ambiente, oferta, ritmo de comercialização dos produtores e condições logísticas permanecem como os principais vetores de formação dos preços do milho. Na Europa, a quebra da safra já está amplamente incorporada às expectativas do mercado. A principal questão passa a ser a capacidade da União Europeia de suprir sua necessidade adicional de importações caso a Ucrânia enfrente dificuldades para escoar volumes suficientes pelo Mar Negro. Em junho, cerca de 90% das exportações ucranianas de grãos, oleaginosas e derivados ainda eram realizadas pelos portos do Mar Negro, enquanto aproximadamente 10% seguiam por rotas terrestres da União Europeia.
Caso a Ucrânia não consiga redirecionar de forma eficiente sua nova safra para a Europa, os compradores europeus poderão ampliar as aquisições de outras origens, principalmente Brasil e Estados Unidos. Problemas logísticos registrados anteriormente neste ano já reduziram a participação ucraniana nas importações europeias e abriram espaço para o avanço da presença brasileira e norte-americana. Nesse cenário, os preços precisam permanecer em níveis suficientemente firmes para desempenhar uma de duas funções. A primeira é incentivar vendas adicionais dos produtores, ampliando a disponibilidade de oferta física no mercado. A segunda é limitar o crescimento da demanda, de forma a ajustar o consumo à menor disponibilidade projetada. O quadro ganha relevância diante do aperto esperado no balanço mundial de milho.
O USDA projeta queda da produção global em 2026/27, enquanto o consumo permanece em níveis historicamente elevados, resultando em redução dos estoques. Conforme o levantamento apresentado pela Stag, a produção mundial deve recuar cerca de 31 milhões de toneladas em 2026/27, após expansão próxima de 96 milhões de toneladas na temporada anterior. Os fundamentos relativos também favorecem o milho em comparação com a soja. A relação entre os preços das duas commodities pode recuar para perto de 2,5, diante dos riscos de oferta, da lentidão da comercialização no Brasil e da demanda doméstica brasileira firme, especialmente para a produção de etanol. Uma relação mais baixa entre milho e soja pode elevar o incentivo para que os produtores dos Estados Unidos destinem uma parcela maior da área à cultura do milho na próxima temporada de plantio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.