21/Aug/2026
Segundo a Hedgepoint Global Market, o consumo doméstico de milho no Brasil deve crescer 6% em 2025/26 e atingir o recorde de 100,7 milhões de toneladas, ante 95 milhões de toneladas no ciclo anterior, impulsionado principalmente pela rápida expansão da produção de etanol. Esta será a primeira temporada em que o consumo interno do cereal ultrapassará 100 milhões de toneladas. O consumo de milho pelas usinas de etanol deve aumentar em 5,5 milhões de toneladas, passando de 23 milhões para 28,5 milhões de toneladas. O avanço responde por praticamente todo o crescimento projetado para a demanda doméstica nesta temporada.
O uso de milho para ração está estimado em 61,2 milhões de toneladas, próximo das 61 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior. O Brasil já soma 29 usinas de etanol de milho em operação, ante 27 unidades registradas até abril e maio deste ano, enquanto outras 27 unidades estão projetadas para os próximos anos. A expansão elevou rapidamente a participação do biocombustível no balanço de demanda do cereal. Em 2017, o consumo de milho destinado à produção de etanol era praticamente nulo. A elevação da mistura de etanol na gasolina para E30 contribuiu para acelerar essa trajetória. A Hedgepoint estima que o E32, mistura emergencial mais recente, poderá acrescentar cerca de 700 mil toneladas à demanda de milho caso permaneça em vigor pelos 180 dias inicialmente previstos.
Em uma base anualizada, o impacto seria de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. Esse volume ainda não está integralmente incorporado à projeção de consumo de 28,5 milhões de toneladas pelas usinas de etanol. A expansão do consumo doméstico modifica gradualmente a dinâmica do mercado brasileiro ao absorver parcela crescente da produção que anteriormente poderia ser direcionada ao exterior. O aumento de 5 milhões a 6 milhões de toneladas no consumo interno, impulsionado pelo etanol, representa fator de sustentação para as cotações. Apesar disso, a demanda doméstica ainda não é suficiente para equilibrar integralmente o mercado, pois o Brasil continua dependente de exportações elevadas para evitar o acúmulo de estoques.
A Hedgepoint estima a produção brasileira de milho em 140,3 milhões de toneladas em 2025/26, praticamente estável ante as 140,5 milhões de toneladas do ciclo anterior. Considerando exportações de 41 milhões de toneladas e consumo doméstico recorde, os estoques finais devem permanecer em 12,8 milhões de toneladas, com relação estoque/uso de 9%. A combinação de exportações de 41 milhões de toneladas, consumo interno acima de 100 milhões de toneladas e utilização de 28,5 milhões de toneladas pelas usinas de etanol mantém os estoques em nível semelhante ao da temporada anterior.
Nesse contexto, a expansão do etanol passa a representar um fator estrutural de sustentação para o mercado brasileiro de milho, mesmo em uma temporada de oferta elevada. A Hedgepoint ainda não definiu sua estimativa de produção para 2026/27. Os primeiros números devem ser divulgados em setembro, após o encerramento da colheita da temporada atual e com maior visibilidade sobre o plantio da soja, que determinará a janela de cultivo do milho de 2ª safra de 2027. Para a demanda, entretanto, a tendência é de continuidade do crescimento do consumo destinado ao etanol, acompanhando a expansão da capacidade industrial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.