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21/Aug/2026

Revisada projeção da exportação brasileira 2025/26

A Hedgepoint Global Markets reduziu de 43 milhões para 41 milhões de toneladas a estimativa para as exportações brasileiras de milho em 2025/26, diante da menor demanda do Irã e da forte concorrência internacional no segundo semestre. O Irã, principal destino do milho brasileiro em 2025, quando comprou 9 milhões de toneladas, reduziu as aquisições em 43% entre janeiro e julho de 2026, de 2,7 milhões para 1,5 milhão de toneladas. O conflito no Oriente Médio tem afetado o fluxo de cargas destinadas ao país e, caso se prolongue, poderá limitar ainda mais as compras iranianas. Egito, Vietnã e Argélia ampliaram as aquisições de milho brasileiro, mas ainda existe incerteza sobre a capacidade desses mercados de compensar por período mais prolongado a menor participação do Irã. A preocupação é maior porque grande parte dos embarques brasileiros se concentra no segundo semestre, especialmente entre agosto e outubro.

A Argentina também amplia a pressão sobre a competitividade brasileira. Após colher uma safra recorde, estimada pela Hedgepoint em 63 milhões de toneladas, o país vizinho poderá exportar cerca de 45 milhões de toneladas neste ciclo. O volume pode superar as exportações brasileiras e colocar a Argentina como a segunda maior exportadora mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos. Os preços argentinos e norte-americanos estão atualmente próximos e ambos são mais competitivos que os brasileiros, enquanto os embarques da Argentina avançam em ritmo recorde. A combinação entre menor demanda iraniana e maior disponibilidade argentina constitui um dos principais riscos para o desempenho das exportações brasileiras no segundo semestre. A demanda europeia pode oferecer algum suporte ao Brasil diante do cenário internacional mais competitivo. Problemas climáticos reduziram o potencial da safra de milho da União Europeia, levando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a reduzir a estimativa de produção do bloco e elevar, simultaneamente, a necessidade de importações.

O movimento tende a abrir espaço adicional para fornecedores como Brasil, Argentina e Estados Unidos, embora ainda não seja possível determinar quanto desse mercado poderá ser destinado a cada origem. Entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, os preços estão próximos, com vantagem competitiva para a Argentina. A Ucrânia, tradicional fornecedora do mercado europeu, mantém preços baixos, mas não apresenta capacidade para exportar os volumes necessários. Mesmo com o avanço do consumo doméstico, as exportações permanecem como variável central para o equilíbrio do mercado brasileiro. A Hedgepoint projeta consumo interno de 100,7 milhões de toneladas e estoques finais de 12,8 milhões de toneladas em 2025/26, patamar semelhante ao registrado na safra anterior. Para reduzir a disponibilidade doméstica e evitar maior pressão sobre os estoques, o mercado brasileiro ainda depende de exportações de pelo menos 40 milhões de toneladas.

O ritmo dos embarques deverá determinar o comportamento dos preços internos até o fim do ano. Caso as exportações confirmem a projeção de 41 milhões de toneladas, a tendência é de manutenção da sazonalidade normal, com perda de sustentação das cotações à medida que avançar a nova safra de verão. Uma frustração mais acentuada nas vendas externas, por outro lado, poderá pressionar os preços para cima antes mesmo da entrada da nova safra. No lado positivo para a competitividade brasileira, a melhora do frete ferroviário de Mato Grosso em direção ao Porto de Santos (SP) pode contribuir para reduzir custos logísticos e favorecer os embarques. O desempenho das exportações nos próximos meses, especialmente diante da menor participação do Irã e da maior oferta argentina, será determinante para a formação dos preços do milho no mercado interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.