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21/Aug/2026

Sorgo: Brasil abre concorrência com EUA na China

O início dos embarques brasileiros de sorgo para a China abre uma nova frente de concorrência com os Estados Unidos em um mercado ainda pequeno para o Brasil como exportador, mas relevante para a China e para a pauta agrícola norte-americana. O Brasil já iniciou os embarques do cereal para o mercado chinês e possui mais de meio milhão de toneladas na fila de carregamento, indicando potencial de expansão dessa rota comercial. Durante anos, os Estados Unidos foram o principal fornecedor de sorgo para a China, embora o país asiático tenha ampliado a diversificação de suas origens recentemente, com maior participação de Austrália e Argentina. A entrada do Brasil acrescenta uma nova origem ao mercado chinês e cria uma alternativa adicional de abastecimento para o maior importador mundial do cereal. O sorgo é utilizado principalmente na alimentação animal e na produção de baijiu, bebida alcoólica tradicional chinesa.

A China deve importar 6,6 milhões de toneladas do cereal em 2026/27, volume mais de 20 vezes superior às 300 mil toneladas previstas para o México, segundo maior importador mundial. A abertura do mercado chinês ao sorgo brasileiro está baseada em protocolo fitossanitário firmado entre Brasil e China em novembro de 2024. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) habilitou posteriormente as primeiras dez unidades exportadoras, distribuídas entre Mato Grosso, Minas Gerais, Rondônia e Bahia. A medida permite ao Brasil transformar uma cultura ainda pouco representativa no comércio exterior em uma alternativa regular de fornecimento ao principal comprador mundial. O movimento amplia a concorrência para os Estados Unidos em uma corrente comercial relevante entre Washington e Pequim. As exportações norte-americanas de sorgo para a China alcançaram US$ 2,1 bilhões em 2015 e, entre 2020 e 2024, oscilaram entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,8 bilhão por ano.

O produto integra uma pauta que pode contribuir para a meta de a China adquirir US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas dos Estados Unidos. A expansão do sorgo brasileiro ocorre simultaneamente ao aumento da produção nacional. O Brasil colheu 2,1 milhões de toneladas em 2020/21 e alcançou 7 milhões de toneladas em 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a safra 2025/26 em 7,62 milhões de toneladas, aumento de 1,5 milhão de toneladas em relação ao ciclo anterior. Para 2026/27, a Sitonia Consulting projeta produção brasileira de 6,5 milhões de toneladas, volume que colocaria o Brasil como terceiro maior produtor mundial, pouco atrás da Nigéria. Nesse cenário, o sorgo brasileiro se aproximaria ou poderia superar volumes de culturas com maior acompanhamento internacional, como o trigo, embora ainda receba atenção limitada nos balanços globais de oferta e demanda. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por meio de seu escritório no Brasil, publica balanços próprios para milho, trigo e arroz, mas não para sorgo.

Nos relatórios de grãos sobre o Brasil, o cereal aparece de forma secundária, ao lado de canola e cevada, como cultura de inverno que vem ocupando áreas anteriormente destinadas ao trigo. O descompasso entre a evolução da produção e as projeções também aparece nas exportações. O USDA ainda estima embarques brasileiros de apenas 100 mil toneladas de sorgo em 2025/26 e 2026/27, volume que pode ficar defasado diante dos embarques já programados. Há 619 mil toneladas de sorgo na fila de carregamento no Brasil, das quais 270 mil toneladas já têm a China como destino. A expansão da demanda chinesa, entretanto, possui limitações. Parte do consumo de sorgo está relacionada à produção de baijiu, cuja atividade apresenta declínio estrutural desde o pico registrado em 2016. O cereal, contudo, mantém relevância como ingrediente para alimentação animal, preservando uma base importante de demanda no mercado chinês. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.