19/Aug/2026
O mercado brasileiro de milho deve continuar com negociações lentas nas próximas semanas, com compradores evitando antecipar uma disputa pelo cereal enquanto a colheita ainda avança em importantes Estados produtores. Uma reação mais clara dos preços tende a aparecer apenas a partir de meados de setembro, quando a oferta da 2ª safra de 2026 começar a diminuir e a demanda voltar a ganhar peso na formação das cotações. Ainda há volume relevante a ser retirado dos campos no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. Os compradores não querem inflacionar o mercado antes de fechar a colheita. No curto prazo, portanto, o mercado físico deve permanecer concentrado em compras de necessidade, sem uma disputa generalizada por oferta.
A maior mudança pode aparecer quando a disponibilidade diminuir e o mercado interno, sustentado pelo consumo de ração e pela indústria de etanol, passe a competir com mais intensidade pelo cereal. Esse avanço da demanda doméstica também pode limitar o potencial das exportações. É possível que os embarques brasileiros ultrapassem 40 milhões de toneladas, mas há dificuldade para que o País alcance volumes muito superiores. Vai chegar um momento em que a demanda interna vai começar a limitar a exportação. Esse fator reduz o impacto imediato das projeções mais elevadas para os embarques. Mesmo com milho disponível para exportação, uma parcela crescente da produção tende a ser absorvida internamente, especialmente pelo avanço do consumo industrial.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, o mercado de milho disponível opera travado, com indicações entre R$ 51,00 e R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada imediata e pagamento em setembro. Os produtores indicam a partir de R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2027, os compradores indicam R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em março com pagamento em abril.
Em São Paulo, na região de Pedrinhas e Cândido Mota, há divergência quanto aos preços entre compradores e vendedores. Os vendedores indicam entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em outubro e pagamento em novembro, mas os compradores recusam esses níveis. No Porto de Santos com frete, o grão chegaria ao consumidor por cerca de R$ 67,50 por saca de 60 Kg, enquanto exportadoras estão dispostas a pagar entre R$ 65,00 e R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, para pagamento em 30 dias. O porto paga quase o mesmo que o FOB no interior. A conta não fecha. No Porto de Paranaguá (PR), a indicação é de R$ 65,50 por saca de 60 Kg CIF, e no Porto de Santos, R$ 66,50 por saca de 60 Kg CIF, ambas para embarque em setembro e pagamento em outubro.