18/Aug/2026
O Itaú BBA avalia que aumenta o risco de redução da projeção de 40 milhões de toneladas para as exportações brasileiras de milho na safra 2025/26 caso os embarques voltem a apresentar desempenho fraco em agosto. Após a perda de ritmo registrada em julho, o milho brasileiro está atualmente mais caro que o produto dos Estados Unidos, da Argentina e da Ucrânia, o que pode reduzir a participação do Brasil no comércio internacional nos próximos meses. Entre fevereiro e julho, as exportações brasileiras de milho ainda cresceram 5,8% na comparação com igual período de 2025. Os dados mais recentes, porém, apontam perda de dinamismo. Em julho, os embarques ficaram cerca de 20% abaixo dos registrados um ano antes, enquanto as indicações de line-up apontam nova retração em agosto. O Itaú BBA mantém, por enquanto, a estimativa de 40 milhões de toneladas exportadas no ciclo de fevereiro a janeiro, mas um resultado mais fraco em agosto elevaria o risco de revisão negativa da projeção.
A menor competitividade do milho brasileiro contribui para explicar a desaceleração. O produto nacional apresenta atualmente preços superiores aos do milho norte-americano, argentino e ucraniano, concorrentes diretos do Brasil no mercado internacional. A diferença de preços aumenta o risco de perda de espaço nos destinos importadores. No mercado doméstico, em contrapartida, as cotações do milho ganharam força. Em Sorriso (MT), o preço médio passou de R$ 42,00 por saca de 60 Kg em julho para R$ 46,00 por saca de 60 Kg na parcial de agosto, alta de 9,1%. O movimento foi sustentado principalmente pela valorização do dólar e pela manutenção do interesse comprador, mesmo com o avanço da oferta da 2ª safra de 2026. A concorrência no mercado internacional tende a aumentar com a perspectiva de uma grande colheita nos Estados Unidos.
No relatório de agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou em 500 mil hectares, para 35,9 milhões de hectares, a área norte-americana destinada à colheita de milho. A revisão levou a produção a um patamar superior ao esperado pelo mercado, apesar do corte na produtividade estimada, para 11,4 toneladas por hectare. O cenário de maior oferta nos Estados Unidos encontra contraponto nas tensões no Mar Negro. A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia e os ataques à infraestrutura portuária russa aumentaram os riscos para o escoamento de grãos da região e sustentaram as cotações do trigo. Esse movimento também oferece suporte indireto aos preços do milho na Bolsa de Chicago. O primeiro vencimento do milho apresenta média de US$ 4,41 por bushel na parcial de agosto, queda de 0,4% ante a média de julho. No mês anterior, a cotação média havia avançado 6,3% em relação a junho, para US$ 4,43 por bushel, em meio às preocupações climáticas relacionadas à safra norte-americana.