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18/Aug/2026

Etanol de Milho: impactos da escassez de biomassa

A rápida expansão da produção de etanol de milho no Brasil começa a enfrentar um novo gargalo relacionado à disponibilidade de biomassa para geração de energia nas usinas. A escassez de madeira em regiões produtoras e a perspectiva de aumento dos custos do insumo estimulam novos projetos a diversificar as fontes energéticas e podem ampliar a integração entre unidades de processamento de milho e usinas sucroenergéticas. A disponibilidade de energia passou a ser um dos principais pontos de atenção na avaliação de novos projetos de etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste. Nas unidades dedicadas exclusivamente ao processamento de milho, a biomassa necessária para alimentar as caldeiras precisa ser adquirida ou produzida especificamente para esse fim, diferentemente das usinas de cana-de-açúcar, que geram o próprio bagaço durante o processamento da matéria-prima.

Grandes grupos do setor já consideram o custo agrícola associado à manutenção de florestas destinadas ao fornecimento de biomassa energética. Para projetos sem produção própria de madeira, a tendência é de aumento dos custos diante da disputa pelo insumo com outras atividades econômicas. A restrição de madeira também estimula a busca por fontes alternativas de biomassa disponíveis regionalmente. Entre as opções avaliadas estão capim-elefante, casca de açaí e outras fontes de energia, além da casca de arroz na Região Sul. A diversificação tende a ganhar importância à medida que aumenta o número de projetos de etanol de milho e a demanda por combustível para as caldeiras. Uma das alternativas é a integração entre as cadeias de milho e cana-de-açúcar, com utilização do bagaço gerado pelas usinas sucroenergéticas para atender à demanda energética das plantas de etanol de milho. Na Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul (MS), está sendo estruturado um complexo no qual as plantas de cana-de-açúcar e milho compartilharão a fonte energética da caldeira.

O empreendimento também terá produção de biometano. Nesse modelo, o bagaço da cana é utilizado na geração de energia necessária para a operação da planta de etanol de milho, reduzindo a dependência de biomassa florestal. A origem sustentável do insumo também é considerada estratégica, uma vez que a utilização de materiais associados ao desmatamento pode comprometer a imagem do setor e dificultar o acesso do etanol brasileiro aos mercados externos. A restrição de biomassa pode, dessa forma, aumentar a atratividade das usinas flex, capazes de combinar diferentes matérias-primas e aproveitar estruturas energéticas já existentes. A utilização do bagaço de cana ou de excedentes de usinas sucroenergéticas mais eficientes reduz a exposição das novas plantas de etanol de milho à escassez e à elevação dos custos da madeira. Fonte: Brasil Energia. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.