17/Aug/2026
Mesmo com novas estimativas apontando possível safra 2025/26 recorde, os preços do milho seguem em alta no mercado brasileiro nos últimos dias. O impulso vem, sobretudo, da posição retraída de produtores, que limitam o volume de negócios no spot, fundamentados nas altas dos valores internacionais (que elevam a paridade de exportação), no atraso da colheita no Brasil e nas preocupações com o clima no final do ano, devido aos possíveis impactos do El Niño. Com isso, o Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) acumula alta de 2% nos últimos sete dias, cotado a R$ 66,09 por saca de 60 Kg. Os compradores continuam ativos nas negociações para a recomposição de estoques, mas ainda mantendo as pedidas abaixo das ofertas. Esses agentes acreditam que, com o avanço da colheita, o interesse de vendedores nas negociações pode aumentar.
Nos últimos sete dias, o preço médio no mercado de balcão (preço pago ao produtor) tem avanço de 0,4% e, no mercado de lotes (negociação entre empresas), a alta é de 1,2%. Além das altas observadas nas regiões consumidoras, os valores também avançam em importantes regiões produtoras como Rondonópolis (MT), Rio Verde (GO) e oeste do Paraná no mesmo período: 2,3%, 2,7% e 0,22%, respectivamente. Nos portos, os preços registram alta de 3,8% no Porto de Santos (SP) e de 2,4% no Porto de Paranaguá (PR) no mesmo comparativo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou, na quinta-feira (13/08), que devem ser produzidas 142,95 milhões de toneladas na temporada 2025/26, 1,3% superior à safra 2024/25 e um recorde, caso se concretize. As altas refletem os aumentos na área destinada ao cereal nesta temporada, além da melhora na produtividade da safra de verão (1ª safra 2025/26).
Para 2ª safra de 2026, a produção foi estimada em 111 milhões de toneladas, leve queda de 1,9% em relação à temporada anterior, mas com área 2% maior. A produção da 3ª safra de 2026 deve ter forte queda de 18,6% entre as duas temporadas, estimada em 2,43 milhões de toneladas para 2025/26. As estimativas de consumo foram elevadas para 95,04 milhões de toneladas, refletindo a maior demanda para fabricação de etanol, enquanto as exportações se mantêm projetadas em 46,5 milhões de toneladas. Com isso, os estoques internos, ao final de janeiro/27, devem ser de 15,58 milhões de toneladas, acima dos 12,46 milhões de toneladas da safra anterior e 80% superiores à média das últimas cinco safras. Até o dia 7 de agosto, a colheita da 2ª safra de milho de 2026 havia alcançado 78,2% da área, ainda abaixo dos 81,4% da média das últimas cinco safras, segundo a Conab.
Em Mato Grosso, a colheita está praticamente finalizada, totalizando 99,10% da área estadual até o dia 7 de agosto. Com o avanço das atividades, as atuais produtividades têm sido consideradas recordes e agora são estimadas em 57,39 milhões de toneladas, 3,5% superiores à temporada anterior, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em Mato Grosso do Sul, de acordo com dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), chuvas reduziram o ritmo da colheita em algumas regiões do centro e do sul do Estado, sendo que 49% da área foi colhida até o dia 7 de agosto. No Paraná, a colheita chegou a 60% até o dia 10 de agosto, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). Nos Estados Unidos, relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que, até o dia 9 de agosto, 61% da safra de milho estava em condições entre boas ou excelentes, sem alteração no comparativo semanal, mas abaixo dos 72% registrados no mesmo período de 2025.
Na Argentina, a colheita chegou a 77% da área até o dia 13 de agosto, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Nos Estados Unidos, os vencimentos futuros iniciaram a semana passada em queda, pressionados pelas previsões de chuvas em boa parte das regiões produtoras do cereal, que devem ser favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. Porém, as projeções de redução na produção da União Europeia e os conflitos do Mar Negro ainda deram suporte aos futuros. No dia 12 de agosto, com a divulgação mensal do relatório de oferta e demanda do USDA, a redução dos estoques nos Estados Unidos voltou a elevar os futuros. Neste país, a produção deve ser de 406,75 milhões de toneladas, semelhante ao do mês anterior, de 406,42 milhões de toneladas, mas abaixo das 432,34 milhões de 2025/26, enquanto os estoques estão estimados em 41,98 milhões de toneladas, ante 45,46 milhões de toneladas em julho e bem abaixo das 49,4 milhões de toneladas de 2025/26.
Na Bolsa de Chicago, os vencimentos Set/26 e Dez/26 registram avanço de 2% nos últimos sete dias, a US$ 4,48 por bushel e a US$ 4,72 por bushel, nesta ordem. Para a safra mundial 2026/27, o USDA projetou redução na produção mundial de 2%, com a melhora nos volumes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos. No agregado, a produção mundial será de 1,298 bilhão de toneladas, acima das 1,297 bilhão de toneladas estimadas em julho, mas inferior às 1,32 bilhão de toneladas da temporada 2025/26. O consumo mundial também foi ajustado para cima, levando a uma redução dos estoques finais, atualmente estimados em 274,66 milhões de toneladas, contra 275,26 milhões no relatório de julho e, sobretudo, abaixo dos 298,83 milhões de 2025/26. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.