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17/Aug/2026

Futuros do milho avançam acompanhando o trigo

Os futuros de milho fecharam em alta na Bolsa de Chicago na sexta-feira (14/08), acompanhando a valorização do trigo e recebendo suporte adicional do fortalecimento do petróleo, que melhora a competitividade relativa do etanol nos Estados Unidos, onde o milho é a principal matéria-prima utilizada na produção do biocombustível. O vencimento dezembro subiu 11,25 cents de dólar, ou 2,38%, e fechou a US$ 4,83 por bushel. Na semana passada, a valorização acumulada foi de 4,6%. A relação entre milho e trigo também contribuiu para o movimento positivo, uma vez que os dois grãos são substitutos diretos na formulação de rações animais. A redução das perspectivas de produção de milho na Europa e a deterioração da logística de exportação no Mar Negro permanecem como fatores de sustentação para as cotações internacionais.

Na União Europeia, as ondas de calor registradas em algumas regiões vêm levando analistas a reduzir as estimativas para a produção de milho do bloco. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu de 53,78 milhões de toneladas para 50,20 milhões de toneladas sua projeção para a safra de milho da União Europeia em 2026/27. No Mar Negro, a escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia tem comprometido a capacidade de exportação ucraniana, principal fornecedora de milho para a União Europeia. A Ucrânia exportou apenas 280 mil toneladas de grãos nos primeiros 12 dias de agosto, enquanto os três principais portos do país permanecem praticamente fechados para operações. A deterioração logística também aumenta o risco de redução temporária da oferta ucraniana no mercado internacional.

Relatório do Ukrainian Agribusiness Club estima que a Ucrânia pode deixar de ofertar cerca de 9 milhões de toneladas de produtos agrícolas entre agosto e outubro de 2026, devido à redução acentuada da capacidade de escoamento. A retenção tende a afetar principalmente grãos, com impactos potenciais sobre o milho e o trigo. Nos Estados Unidos, o mercado acompanha os dados da Pro Farmer Crop Tour, que começa nesta semana e percorrerá as principais regiões produtoras do Meio Oeste. Os levantamentos de campo serão importantes para avaliar o potencial produtivo da safra norte-americana e a trajetória dos estoques finais. O USDA reduziu sua estimativa para os estoques finais de milho nos Estados Unidos de 45,46 milhões para 41,98 milhões de toneladas, enquanto o mercado projetava redução menor, para 43,94 milhões de toneladas.

Caso os levantamentos de campo identifiquem problemas relevantes na região oeste do cinturão agrícola, a expectativa é de retomada das compras pelos consumidores, diante da possibilidade de nova redução dos estoques finais na próxima atualização do USDA. O mercado permanece, assim, sustentado pela combinação de menor oferta projetada na União Europeia, restrições logísticas no Mar Negro, redução dos estoques norte-americanos e expectativa em relação ao potencial produtivo dos Estados Unidos. O comportamento do trigo e do petróleo adiciona suporte às cotações, enquanto os resultados da Pro Farmer Crop Tour serão determinantes para a avaliação do balanço de oferta e demanda na temporada 2026/27.