13/Aug/2026
O milho brasileiro começa a ganhar espaço na pauta de exportações com o avanço da 2ª safra de 2026, mas o aumento dos embarques ainda não é suficiente para provocar uma reação mais consistente dos preços no mercado interno. A combinação de uma safra volumosa com exportações ainda abaixo das registradas no ano passado mantém os compradores confortáveis e limita a necessidade de disputar o cereal. Os preços do milho subiram um pouco e já não estão nas mínimas do ano. A comercialização da 2ª safra de 2026 avançou em julho, quando a alta das referências de exportação aproximou as indicações dos exportadores dos valores praticados no mercado interno e estimulou compradores domésticos a se movimentarem.
Esse movimento começa a aparecer também nos portos. Porém, a exportação de julho foi menor na comparação com o ano passado. Agosto também vai se mostrando um mês que deve ser mais fraco. Mesmo uma repetição dos cerca de 40 milhões a 41 milhões de toneladas exportadas no ano passado, deixaria aproximadamente 20 milhões de toneladas em estoques de passagem. Assim, não tem, pelo menos por enquanto, estímulo para subir. A ampla disponibilidade ajuda a explicar a pouca urgência dos compradores. O gatilho capaz de provocar uma valorização mais forte pode surgir apenas quando as atenções começarem a se voltar para a 2ª safra de 2027.
Pode haver uma aceleração das altas quando começar o plantio da soja, se houver atraso de fato no Cerrado. Um plantio tardio da oleaginosa aumentaria o risco de redução da janela para o milho no próximo ano e poderia mudar rapidamente a percepção sobre os estoques hoje considerados elevados. Essa discussão deve ganhar força entre a segunda quinzena de setembro e outubro. Antes disso, uma reação maior dependeria de uma alta expressiva na Bolsa de Chicago ou do câmbio. No mercado físico, necessidades pontuais de compradores e situações específicas dos produtores provocam negócios acima das referências gerais.
No Paraná, na região de Cascavel, o mercado interno indica entre R$ 60,00 e R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF, acima da equivalência de R$ 55,00 a R$ 57,00 por saca de 60 Kg FOB das indicações de exportação no Porto de Paranaguá. Parte dos produtores, contudo, precisa liberar milho com elevada incidência de grãos ardidos para evitar maior deterioração durante a armazenagem. Em Mato Grosso, na região de Campo Verde, consumidores domésticos indicam R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque imediato, enquanto negócios faturados por cooperativas chegam a aproximadamente R$ 48,00 por saca de 60 Kg. Para novembro, tradings indicam R$ 49,00 por saca de 60 Kg FOB, mas os produtores resistem a alongar as vendas e buscam valores próximos de R$ 50,00 por saca de 60 Kg, para prazos mais curtos.