13/Aug/2026
Segundo a StoneX, a redução da disponibilidade de milho no mercado mundial fora de Estados Unidos e China aumenta a importância de fornecedores como Brasil e Argentina diante do risco de novas restrições às exportações da Ucrânia. A relação entre estoques e consumo de milho no restante do mundo vem diminuindo, tornando o mercado mais sensível a eventuais interrupções relevantes no fluxo ucraniano. A Ucrânia responde por cerca de 11% das exportações mundiais de milho e é o quarto maior exportador global. Nesse contexto, a capacidade de exportação do país ganha ainda mais relevância diante da seca na Europa, que reduz a oferta regional e amplia a necessidade de importações. O conflito com a Rússia continua prejudicando a logística ucraniana, com ataques a portos, embarcações e outras estruturas no Mar Negro.
O país também passou a depender de rotas alternativas para manter parte do escoamento, mas essas opções apresentam custos mais elevados, menor eficiência e capacidade limitada. A menor produção europeia acrescenta pressão ao balanço internacional. No relatório de oferta e demanda divulgado nesta quarta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a estimativa da safra de milho da União Europeia de 53,8 milhões para 50,2 milhões de toneladas. Nesse cenário, Brasil e Argentina ganham importância como fontes alternativas de oferta. O USDA elevou a projeção de produção brasileira de milho em 2026/27 de 138 milhões para 140 milhões de toneladas e manteve a estimativa para a Argentina em 63 milhões de toneladas.
A disponibilidade mundial de milho fora dos Estados Unidos e da China já apresenta sinais de maior aperto. Assim, eventuais problemas adicionais na Ucrânia poderiam produzir efeitos mais significativos sobre os fluxos internacionais do que em um cenário de oferta global mais confortável. Apesar do quadro mais ajustado, não se identifica, neste momento, uma situação de escassez de milho no mercado mundial. O principal risco está concentrado na logística e na capacidade de movimentação do cereal entre as principais origens e destinos. Uma redução mais intensa das exportações ucranianas obrigaria importadores a buscar volumes em outras origens, incluindo Brasil e Argentina, e elevaria o custo de movimentação do milho no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.