12/Aug/2026
O etanol de milho se consolidou como o principal destaque operacional da São Martinho no primeiro trimestre da safra 2026/27, com rentabilidade significativamente superior à operação tradicional de cana-de-açúcar. Apesar do desempenho do segmento de milho, os custos continuam pressionando as margens consolidadas da companhia. O BTG Pactual identifica vetores positivos para o curto prazo, mas mantém recomendação neutra para as ações da empresa. A operação de etanol de milho gerou R$ 76 milhões de Ebit no trimestre, equivalente a quase dois terços do resultado operacional consolidado da São Martinho. A margem Ebit alcançou 32,5%, mais de quatro vezes a registrada pelo negócio de cana-de-açúcar. O custo caixa de produção ficou em aproximadamente R$ 1,50 por litro, ante cerca de R$ 2,50 por litro do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.
A entrada da São Martinho no segmento de etanol de milho e os investimentos realizados posteriormente para ampliar a capacidade produtiva demonstram, na avaliação do BTG Pactual, retorno operacional relevante. Atualmente, a operação de milho apresenta rentabilidade significativamente superior à atividade tradicional de cana e se tornou um dos principais vetores de geração de resultado da companhia. O desempenho do segmento, entretanto, não foi suficiente para evitar pressão sobre a rentabilidade consolidada. Os custos foram apontados como o principal fator para o resultado ficar abaixo das expectativas do banco. O custo caixa unitário, excluindo outras receitas, principalmente relacionadas ao reconhecimento de créditos tributários, recuou apenas 2% na comparação anual, abaixo da redução esperada. A produtividade agrícola apresentou melhora, com o TCH crescendo 7%, mas o ganho foi compensado pela estabilidade do ATR por tonelada.
A companhia processou 8,5 milhões de toneladas de cana no trimestre, aumento de 4% ante igual período da safra anterior. A evolução da produtividade ajudou a compensar a redução no número de dias efetivos de moagem em uma safra marcada até o momento pelo excesso de chuvas. Na estratégia comercial, a atuação da São Martinho ficou, em geral, dentro das expectativas. A companhia postergou para o segundo semestre da safra a maior parte das vendas de etanol, movimento considerado compatível com a forte queda dos preços do biocombustível observada no primeiro trimestre e com a expectativa de recuperação das cotações nos próximos meses. As vendas de açúcar ficaram próximas das estimativas do banco, indicando que a receita não foi o principal fator para o resultado abaixo das projeções. A pressão esteve concentrada principalmente nos custos e na rentabilidade operacional. O cenário para os próximos meses apresenta, contudo, sinais mais favoráveis.
Os preços globais do açúcar avançaram mais de 10% no mês, acompanhando a valorização das cotações no mercado doméstico indiano. No mercado de etanol, a queda dos preços começa a estimular a demanda, o que pode contribuir para uma recuperação das cotações. A recuperação dos preços de açúcar e etanol ganha importância para a rentabilidade do setor, uma vez que as cotações atingiram níveis capazes de gerar Ebit negativo para algumas empresas. Nesse contexto, preços mais elevados deixam de representar apenas uma condição desejável e passam a ser necessários para a recomposição das margens. A valorização recente do açúcar também tende a acelerar a estratégia de hedge da São Martinho. A companhia já protegeu aproximadamente 70% da produção própria de açúcar restante da safra atual, mas menos de 2% do volume estimado pelo BTG Pactual para a próxima temporada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.