11/Aug/2026
O Brasil precisa ampliar, principalmente na União Europeia, a demonstração de que a expansão do etanol de milho não ocorre em detrimento da produção de alimentos. As características da agricultura tropical brasileira e a possibilidade de realização de duas ou até três safras por ano na mesma área permitem combinar produção de alimentos, energia e ração. A discussão sobre eventual competição entre alimentos e biocombustíveis tem dificultado o posicionamento dos produtos brasileiros no exterior, especialmente no mercado europeu. Parte dessa percepção está relacionada à dificuldade de outros países em compreender o sistema de produção brasileiro, no qual o milho 2ª safra pode ser cultivado após a soja na mesma área.
A transformação do milho em etanol dentro do Brasil amplia a demanda pelo cereal, proporciona maior previsibilidade ao produtor e gera coprodutos destinados à alimentação animal. A integração entre produção agrícola, biocombustíveis e nutrição animal reduz a dependência exclusiva da comercialização do grão nos mercados externos e contribui para maior estabilidade da demanda interna. A expansão da 2ª safra de milho nas últimas duas décadas exemplifica essa integração. A produção, que era de cerca de 4 milhões de toneladas em 2004, deve alcançar 112,5 milhões de toneladas em 2026, conforme projeção mencionada pela Inpasa. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em julho, aponta produção de 106,8 milhões de toneladas de milho 2ª safra em 2026, queda de 7,9% ante o ano anterior.
Ainda existe potencial para ampliar a produção de milho por meio do avanço da 2ª safra em áreas inicialmente cultivadas com soja. Atualmente, apenas uma parcela dessas áreas recebe uma segunda cultura, o que abre espaço para aumento da oferta de grãos e, consequentemente, da produção de biocombustíveis e coprodutos para alimentação animal. Essa característica da agricultura brasileira também deve ser considerada nas regras internacionais de descarbonização. O setor de biocombustíveis busca ampliar sua participação em novas aplicações, incluindo a navegação marítima, e tem acompanhado as discussões internacionais desde a formulação das novas normas.
A Organização Marítima Internacional (IMO) continua negociando em 2026 o Net-Zero Framework, que prevê padrões globais de intensidade de emissões dos combustíveis marítimos e mecanismos econômicos para estimular a descarbonização do setor. Estão previstas reuniões técnicas em setembro e novembro, antes da reunião do Comitê de Proteção do Meio Marinho, de 30 de novembro a 3 de dezembro. A sessão extraordinária que poderá retomar a discussão sobre a adoção formal do marco está prevista para 4 de dezembro, sujeita a confirmação. O Brasil vem buscando inserir os biocombustíveis no debate internacional sobre a descarbonização do transporte marítimo. O objetivo é garantir que as regulamentações considerem as particularidades da agricultura tropical e o potencial do País para produzir simultaneamente alimentos, energia e ração. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.