10/Aug/2026
Apesar da leve melhora no final de julho, os embarques brasileiros de milho continuam inferiores aos do mesmo período do ano passado, devido ao atraso da colheita nesta temporada e aos baixos valores praticados nos portos. O cenário de liquidez limitada se estende às negociações no mercado doméstico, com consumidores cautelosos para novas negociações. Em julho, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram exportadas 1,94 milhão de toneladas de milho, 20% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025 (2,43 milhões de toneladas), mas quase cinco vezes mais que o embarcado em junho. Um ponto interessante é que a média diária de envios, apesar de também estar 20% inferior à de julho de 2025, foi aumentando semana após semana no mês, iniciando com média de 64,96 mil toneladas por dia e chegando a 84,48 mil toneladas por dia no acumulado de julho. Com essa melhora, de fevereiro a julho, já foram exportadas 5,6 milhões de toneladas, volume próximo aos 5,3 milhões do ano anterior.
Até o final da temporada, em janeiro/27, são estimadas vendas externas de 46,5 milhões de toneladas, o que demandaria embarques de aproximadamente 7 milhões de toneladas/mês, o que foi observado pela última vez em setembro de 2025. Vale lembrar que a produção da safra de verão (1ª safra 2025/2026) foi maior que no ano anterior. Além disso, o volume da 2ª safra de 2026 em alguns Estados, como Mato Grosso, deve ser superior ao de 2024/25. No entanto, o atraso da colheita em outros Estados, como São Paulo e Minas Gerais, tem limitado as exportações. Outro ponto que merece destaque é que o maior importador de milho em 2025, o Irã, segue em meio às tensões geopolíticas e pode reduzir a demanda pelo cereal brasileiro. Entre fev/26 e jul/26, foram embarcadas apenas 370 mil toneladas de milho para o Irã, ante 1,6 milhão de toneladas no mesmo período de 2025. Neste contexto, os consumidores brasileiros seguem cautelosos em relação às negociações.
Boa parte deles, apesar de ativa no mercado, segue resistente aos patamares firmes de produtores que, por sua vez, limitam o volume de ofertas e priorizam o consumo dos estoques, devido ao atraso da colheita da 2ª safra de 2026, apostando que as exportações ganhem ritmo. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuou de 0,7% nos últimos sete dias, cotado à média de R$ 64,84 por saca de 60 Kg. Na B3, acompanhando os contratos futuros negociados nos Estados Unidos, os vencimentos Set/26 e Nov/26 registram baixas de 2% e 1,8% nos últimos sete dias, a R$ 68,37 por saca de 60 Kg e a R$ 73,27 por saca de 60 Kg, respectivamente. Nos últimos sete dias, as altas são de 0,4% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,6% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Em importantes regiões produtoras, como Sorriso (MT) e Dourados (MS), os preços registram alta de 0,72% e 0,75%, respectivamente.
Nos portos, as cotações são pressionadas pelas quedas dos preços internacionais. Nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), as retrações são de 0,9% e 1,5%. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 31 de julho, 69,1% da área nacional da 2ª safra de 2026 havia sido colhida, avanço de 10,8% em relação ao dia 24 de julho, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos, de 74,5%. Em Mato Grosso, os trabalhos de colheita atingiram 96,77% da área cultivada com o cereal até o dia 31 de julho, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em Mato Grosso do Sul, até o dia 31 de julho, 37,3% do total havia sido colhido, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Em Goiás, a colheita chegou a 58% até o dia 31 de julho, segundo a Conab. No Paraná, a colheita avançou 14% em sete dias, chegando a 52% da área estadual até o dia 27 de julho, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab).
Em Minas Gerais e em São Paulo, a Conab indicou que as áreas colhidas eram de 32% e 15%, respectivamente, até o final da semana anterior. Nos Estados Unidos, no início da semana passada, o retorno das chuvas nos estados de Iowa, Illinois e Nebraska, o que pode elevar a produtividade das lavouras, pressionou os vencimentos. No entanto, as quedas foram limitadas pelas perspectivas desfavoráveis à produção na União Europeia. Com isso, nos últimos sete dias, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Set/26 e Dez/26 têm baixa de 1,5% e 1,4%, a US$ 4,39 por bushel e a US$ 4,62 por bushel. Segundo o relatório de acompanhamento de safra do USDA, até o dia 2 de agosto, 61% das áreas apresentavam condição entre boa e excelente, outros 25% estão em condição média, 10%, em condição ruim e 4% estão em estado muito ruim. Na Argentina, a umidade elevada nas lavouras tem limitado a colheita, que avançou apenas 3,9% nos últimos sete dias, chegando a 73,7% da área nacional, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.