07/Aug/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir sem direção no curto prazo. O espaço para novas quedas é limitado, assim como há poucos elementos capazes de sustentar uma recuperação mais consistente. A pressão da colheita se enfraquece, enquanto os principais gatilhos de alta tendem a aparecer apenas no último trimestre, com uma eventual aceleração da demanda. O preço parece ter atingido o patamar mais baixo, pois o mercado já absorveu boa parte da pressão da entrada do cereal. O câmbio segue relativamente comportado e não há, neste momento, muitos fatores adicionais capazes de provocar novas baixas relevantes.
Por outro lado, a oferta continua elevada, com uma safra cheia sendo colhida agora. Isso vai pesar no curto prazo. Os estoques finais devem ficar em um nível confortável. Isso reduz a urgência dos compradores e limita uma reação imediata dos preços, sobretudo porque o mercado interno já está bem abastecido. Uma alta mais consistente dependerá do desempenho da demanda ao longo dos próximos meses. Há possibilidade de sustentação no último trimestre, caso as exportações superem as expectativas e o consumo doméstico volte a ganhar força. Até lá, a tendência é de um mercado ‘morno’.
No Paraná, na região de Cascavel, a colheita tardia tem revelado perdas. A incidência de grãos ardidos, defeito causado pelo ataque de fungos, impossibilitou a tipagem de alguns, o que pode reduzir os números de produção na região. Cooperativas indicam R$ 57,00 por saca de 60 Kg no mercado de balcão. Cerealistas indicam entre R$ 62,00 e R$ 63,00 por saca de 60 Kg, enquanto os fábricas de ração limitam as indicações até R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF. Nos portos, tradings indicam entre R$ 66,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em agosto.
Em Mato Grosso, aberturas pontuais de programas de exportação movimentaram o mercado. Na região de Sorriso, tradings adquirem lotes até R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarques em agosto, além de operações via cooperativas a R$ 48,00 por saca de 60 Kg. Após o preenchimento dessas janelas, a ponta compradora recuou. A indústria local permanece bem abastecida e indica R$ 45,00 por saca de 60 Kg CIF, via cooperativa, para entrega em setembro. Para 2ª safra de 2027, usinas indicam entre R$ 47,00 e R$ 48,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega entre julho e setembro.