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06/Aug/2026

Etanol de Milho: coprodutos sustentam margens

A queda dos preços do etanol hidratado em 2026 reduziu a rentabilidade das usinas produtoras do biocombustível a partir do milho, com os coprodutos DDG (grãos secos de destilaria) e óleo de milho assumindo papel estratégico para preservar margens. O preço de venda do etanol já está abaixo do custo médio de produção em diversas regiões, segundo levantamento da consultoria Pecege. O custo médio de produção do etanol de milho é estimado em R$ 2,75 por litro, enquanto o preço médio obtido pelas usinas em Mato Grosso, principal Estado produtor do biocombustível a partir do cereal, está em R$ 2,62 por litro. O cenário pressiona os resultados das unidades, mas a receita obtida com produtos destinados principalmente à nutrição animal e ao mercado de biocombustíveis sustentáveis ajuda a compensar a menor remuneração do etanol.

A comercialização de DDG gera receita média equivalente a R$ 0,73 por litro de etanol produzido, enquanto o óleo de milho adiciona R$ 0,20 por litro. Com isso, os dois coprodutos representam uma receita adicional estimada em R$ 0,93 por litro, alterando significativamente o resultado econômico das usinas que processam o cereal. A avaliação considera uma estrutura média de custos de uma usina flex, que opera com milho e cana-de-açúcar, mas também se aplica às unidades dedicadas exclusivamente ao processamento do grão. O desempenho dos coprodutos tem sido apontado como fator determinante para a manutenção da rentabilidade da cadeia de etanol de milho.

A produção de DDG com maior valor agregado tem ampliado a competitividade das empresas, especialmente por meio de produtos direcionados a diferentes segmentos da nutrição animal. A diversificação inclui versões com maior concentração de proteína e fibra, permitindo melhor precificação e maior estabilidade das margens. Além do mercado interno, o óleo de milho tem encontrado oportunidades nas exportações para a Europa, onde é utilizado na produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), biodiesel e diesel verde (HVO). A demanda por atributos ambientais tem permitido a obtenção de prêmios em relação ao mercado brasileiro. Na FS, segunda maior produtora de etanol de milho do País, os coprodutos representam cerca de 45% do custo do milho, acima da média de mercado, estimada entre 35% e 40%. A companhia tem ampliado a oferta de DDG especializado e de óleo de milho para fortalecer a rentabilidade da operação.

Na CerradinhoBio, terceira maior produtora de etanol de milho do Brasil, o biocombustível tem coberto entre 70% e 80% dos custos de produção, enquanto os coprodutos exercem papel complementar no equilíbrio financeiro da operação. A empresa tem investido no desenvolvimento de mercados para DDG e em tecnologias para ampliar a extração de óleo de milho, produto com maior remuneração. O óleo de milho apresenta preço de comercialização entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por tonelada, enquanto o DDG é negociado em torno de R$ 1 mil por tonelada, reforçando a importância da diversificação das receitas para a indústria de etanol de milho em um ambiente de preços pressionados do biocombustível. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.