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05/Aug/2026

Brasil: balanço mais ajustado para milho em 2026/27

Segundo estimativa da StoneX, o consumo doméstico de milho no Brasil pode alcançar 100 milhões de toneladas na safra 2026/27, impulsionado pela expansão da produção de etanol de milho e pela demanda do setor de ração animal. O avanço da demanda interna deve reduzir a disponibilidade para exportações em um cenário de eventual quebra da 2ª safra de 2027. Para safra de verão (1ª safra 2026/27), a estimativa de produção é de 28,7 milhões de toneladas, alta de 0,2% ante o ciclo anterior. A área plantada deve crescer 2,3%, para 3,6 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional é projetada em 7,9 toneladas por hectare, abaixo das 8,1 toneladas por hectare registradas na safra anterior. Mesmo com uma produção superior a 140 milhões de toneladas, o estoque final deve ficar acima de 25 milhões de toneladas. O volume, porém, é considerado necessário para garantir o abastecimento do mercado interno no primeiro semestre, período de menor disponibilidade antes da entrada da 2ª safra de 2027.

O balanço de oferta e demanda tende a ficar mais sensível a perdas produtivas diante do crescimento do consumo interno. Em um cenário de estresse, com redução de 12% na 2ª safra de 2027 em relação à base de 110 milhões de toneladas da 2ª safra de 2026, o estoque final poderia recuar para cerca de 14 milhões de toneladas, limitando as exportações brasileiras a menos de 40 milhões de toneladas. Uma redução menor, de 8% na produção da 2ª safra de 2027, também deixaria os estoques mais ajustados e aumentaria a necessidade de equilíbrio entre consumo doméstico e embarques externos. Nesse cenário, as exportações seriam a principal variável de ajuste para preservar o abastecimento interno. A competitividade do milho brasileiro no mercado internacional continuará dependendo da oferta de outros grandes exportadores, como Estados Unidos, Argentina e Ucrânia.

Uma menor disponibilidade doméstica poderia reduzir a participação brasileira nos embarques globais e elevar a volatilidade dos preços. A 2ª safra de 2027 permanece como o principal fator de incerteza. A definição do potencial produtivo dependerá do desempenho da soja, da janela de plantio e das condições climáticas no início do próximo ano. Eventuais atrasos no plantio da oleaginosa podem reduzir a janela para a semeadura do milho, comprometendo produtividade e área cultivada. Há ainda preocupação com atrasos nas importações e entregas de fertilizantes nitrogenados, fator que pode influenciar a decisão de plantio e os custos de produção da 2ª safra de 2027. Com a expansão do consumo interno e a maior participação do milho na produção de etanol, o mercado brasileiro passa a operar com menor margem de segurança. Uma eventual redução da oferta nacional poderá impactar tanto o abastecimento doméstico quanto a disponibilidade do cereal para o mercado externo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.