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05/Aug/2026

Balanço global mais apertado aumenta incertezas

Segundo a StoneX, a relação entre os estoques globais de milho e o consumo deve encerrar 2027 no menor nível da última década, elevando a sensibilidade do mercado a eventuais perdas de produção nos principais países produtores. O cenário reduz a margem de segurança da oferta mundial e aumenta o potencial de volatilidade dos preços diante de problemas climáticos ou produtivos nas próximas safras. Entre os principais fatores de risco estão o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos e na China, a quebra de produção já observada na Europa e as perspectivas para as próximas safras de Brasil e Argentina. No Brasil, o principal ponto de atenção está relacionado à janela de plantio da 2ª safra de 2027. A ocorrência de El Niño pode atrasar o retorno das chuvas e a semeadura da soja a partir de setembro, postergando a colheita da oleaginosa e reduzindo o período disponível para implantação do milho no início de 2027.

Na safra 2025/26, parte da 2ª safra de milho foi implantada fora da janela ideal, com impactos mais significativos no Paraná e em Goiás. Em Mato Grosso, a continuidade das chuvas favoreceu o desenvolvimento das lavouras e limitou perdas na produção nacional. Para o próximo ciclo, o País não pode depender novamente de condições climáticas favoráveis para evitar problemas de oferta. Os custos de produção também devem influenciar a definição da área cultivada. Parte dos produtores pode direcionar áreas para culturas mais rentáveis, como algodão, ou para alternativas de menor investimento, como sorgo. Para a safra de verão (1ª safra 2026/27), a projeta de produção é de 28,7 milhões de toneladas, alta de 0,2% ante o ciclo anterior. A área deve crescer 2,3%, para 3,6 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional está estimada em 7,9 toneladas por hectare, abaixo das 8,1 toneladas por hectare registradas em 2025/26.

Pelo lado da demanda, o aumento do consumo interno, principalmente pela indústria de etanol de milho, reduz a participação brasileira nas exportações globais. O consumo doméstico pode alcançar 100 milhões de toneladas em 2026/27, elevando a necessidade de estoques de passagem para garantir o abastecimento interno. Apesar da expansão do consumo, a redução recente dos preços do etanol diminuiu a rentabilidade das usinas e aumenta a atenção sobre os custos da matéria-prima. Um eventual aumento dos preços do milho em função de problemas de oferta poderá pressionar as margens da indústria de etanol, embora a StoneX não projete interrupção do crescimento do setor. No mercado internacional, a produção de milho dos Estados Unidos deve ficar abaixo da temporada anterior, diante da menor área cultivada e da dificuldade de repetição dos elevados rendimentos registrados no último ciclo. A Argentina, após uma safra recorde em 2026, poderá reduzir a área destinada ao cereal em razão dos custos elevados.

Na Europa, a quebra de safra deve ampliar a necessidade de importações. Estados Unidos e Ucrânia aparecem como principais fornecedores potenciais, mas as restrições logísticas, a tensão no Mar Negro e a seca no Rio Danúbio aumentam a incerteza sobre a disponibilidade do milho ucraniano e elevam os custos de transporte para a União Europeia. Outro fator de monitoramento é uma possível retomada da China no mercado internacional de importação. Eventuais problemas climáticos associados ao El Niño poderiam elevar a necessidade de compras externas em um ambiente global com menor folga de estoques. Com o balanço mundial mais ajustado, perdas de produção que em outros momentos teriam impacto limitado podem provocar movimentos mais intensos nas cotações. A menor relação estoque-consumo amplia a importância dos fatores climáticos e produtivos para a formação dos preços internacionais do milho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.