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27/Jul/2026

Preços do milho avançam no mercado doméstico

Apesar de a colheita estar avançando em todas as regiões produtoras de milho de 2ª safra, o volume disponível para negócios segue limitado no mercado interno. Além de a média nacional da área já colhida estar inferior à das temporadas anteriores, os produtores se mantêm retraídos das negociações, atentos às altas nos preços internacionais, o que pode elevar a paridade de exportação. Assim, os preços do cereal registram alta em boa parte das regiões. Na ponta compradora, os agentes têm priorizado o consumo dos estoques em detrimento das novas efetivações. Esses consumidores acreditam que os preços possam voltar a cair assim que o volume colhido aumentar e houver necessidade de novas vendas, devido às limitações da capacidade dos armazéns ou pela necessidade de caixa. No mercado spot, oferta e demanda regionais também têm influenciado os valores, mas as altas prevalecem nos últimos dias. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) apresentam alta de 1,3% e, no mercado de lotes (negociações entre as empresas), a elevação é de 0,9%.

O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra avanço de 1% nos últimos sete dias, a R$ 65,55 por saca de 60 Kg. Na região consumidora de Chapecó (SC), o avanço é de 1,34% no mesmo período. Porém, semelhante ao observado na semana anterior, os preços do milho apresentam queda em algumas regiões produtoras, refletindo o avanço da colheita. No oeste e no sudoeste do Paraná, por exemplo, a baixa é de 1% nos últimos sete dias. Na B3, os futuros são impulsionados pelo forte avanço dos preços internacionais e pela manutenção do dólar acima dos R$ 5,00. O contrato Set/26 tem valorização de 3,4% nos últimos sete dias, cotado a R$ 70,75 por saca de 60 Kg. O contrato Nov/26 registra alta de 3,6% no mesmo período, a R$ 74,75 por saca de 60 Kg. Na Bolsa de Chicago, os contratos do milho acumulam forte avanço, devido principalmente às preocupações com a produção nos Estados Unidos e na França, por conta do clima seco e quente.

Além disso, o aumento das tensões no Mar Negro, que têm paralisado os embarques de milho ucraniano, e a alta nos valores do trigo e do petróleo também dão suporte aos futuros. Nos últimos sete dias, os vencimentos Set/26 e Dez/26 registram valorização de 5%, a US$ 4,64 por bushel e a US$ 4,87 por bushel, respectivamente. Com os avanços dos preços internacionais, os valores nos portos brasileiros também estão em alta. No entanto, as negociações no spot só devem se intensificar no próximo mês, com o avanço da colheita. Nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), os aumentos são de 1,6% e 2,5%, respectivamente, nos útimos sete dias. Nas duas primeiras semanas deste mês (13 dias úteis), o Brasil embarcou apenas 786,70 mil toneladas de milho, com média diária de 60,51 mil toneladas. Caso esse ritmo se mantenha, ao final do mês, o País pode exportar 1,39 milhão de toneladas, volume inferior aos 2,4 milhões registrados em julho/25, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Até o dia 17 de julho, 49,8% da área nacional havia sido colhida, avanço de 10,9% em relação ao dia 12 de julho, mas ainda distante da média dos últimos cinco anos, de 56,7%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A colheita tem avançado mais nas regiões do Centro-Oeste, favorecida pelo tempo seco, enquanto houve atrasos nas Regiões Sul e Sudeste, devido à alta umidade dos grãos. Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicou que a colheita avançou aproximadamente 19% entre 10 e 17 de julho, totalizando 78,92% da área estadual. Em Mato Grosso do Sul, até o dia 17 de julho, 15,8% do total foi colhido, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Goiás, outro importante estado produtor, colheu 28% da área até o dia 17 de julho, segundo a Conab. Nas Regiões Sul e Sudeste, os trabalhos de campo estão mais lentos, devido às chuvas e às baixas temperaturas, que limitaram o desenvolvimento das lavouras.

Em Minas Gerais e em São Paulo, a Conab indicou que as áreas colhidas eram de 18% e 9%, respectivamente, até o final da semana anterior. No Paraná, a colheita chegou a 29% da área estadual até o dia 20 de julho, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), consideráveis 19% acima do registrado na semana anterior, mas ainda abaixo dos 40% colhidos em relação ao mesmo período da temporada anterior. Nos Estados Unidos, ainda há preocupações quanto ao impacto do clima seco no desenvolvimento do cereal. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que 67% das lavouras apresentavam condições boas ou excelentes no dia 19 de julho, ante 68% na semana anterior e inferior às 74% observadas em 2025. Na Argentina, os trabalhos de campo avançaram 4,6%, com 66,8% da área colhida até o dia 23 de julho, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.