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24/Jul/2026

Etanol de Milho muda dinâmica do mercado no Brasil

O avanço da produção de etanol de milho deve alterar a dinâmica do mercado brasileiro do cereal na safra 2026/27, com aumento da competição entre usinas de biocombustíveis, indústria de proteína animal e exportadores. Segundo o Itaú BBA, o consumo de milho destinado à fabricação do biocombustível deve alcançar 37,7 milhões de toneladas no ciclo, alta de 36% em relação às 27,7 milhões de toneladas estimadas para a temporada 2025/26. Com esse crescimento, o etanol de milho deverá responder por aproximadamente 34% do consumo doméstico do cereal na safra 2026/27, acima dos cerca de 28% registrados no ciclo anterior. O avanço consolida as usinas de biocombustível como um dos principais vetores de demanda interna pelo grão.

A expansão está concentrada principalmente no Centro-Oeste, região que reúne grande disponibilidade de milho e vem recebendo novos investimentos industriais. Mais de 28 projetos entre novas usinas e ampliações de capacidade previstos até 2030. Parte desses empreendimentos também considera o uso de matérias-primas alternativas, como o sorgo, para complementar o abastecimento industrial. O aumento da participação das usinas de etanol na aquisição de milho modifica o equilíbrio do mercado brasileiro ao ampliar a disputa pelo cereal entre diferentes consumidores. A maior demanda do setor de biocombustíveis tende a reduzir a disponibilidade do produto para exportação e elevar a sensibilidade dos preços internos em períodos de menor oferta.

A integração entre os mercados agrícola e energético ganha relevância com a expansão da transição energética e o crescimento da demanda por combustíveis renováveis. Além do etanol de milho, o desenvolvimento de alternativas como o diesel verde (HVO) e o combustível sustentável de aviação (SAF) amplia as perspectivas para o setor de biocombustíveis e reforça a conexão entre produção agrícola e geração de energia. O cenário aumenta a importância da gestão de riscos para produtores, indústrias e demais agentes da cadeia do milho. Com novos investimentos previstos para os próximos anos, a tendência é de que o etanol de milho amplie sua participação no consumo nacional e se consolide como um dos principais fatores de influência sobre a formação de preços, a comercialização e a destinação da produção brasileira do cereal. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.