23/Jul/2026
Os contratos futuros de milho encerraram a sessão desta quarta-feira (22/07) em alta na Bolsa de Chicago, impulsionados principalmente pela forte valorização do trigo. O contrato com vencimento em dezembro avançou 9,50 cents, ou 2,0%, e fechou a US$ 4,84 por bushel. O movimento foi favorecido pela relação de substituição entre milho e trigo na formulação de rações animais, o que faz com que ambos os mercados apresentem comportamento semelhante em períodos de maior volatilidade. As previsões de chuvas limitadas para o Meio Oeste dos Estados Unidos e as ondas de calor registradas em parte da Europa também sustentaram as cotações.
As condições climáticas adversas elevam as preocupações com o potencial produtivo da safra europeia, com estimativas indicando que a produção francesa de milho poderá recuar mais de 30% em relação ao ciclo anterior. O cenário geopolítico também contribuiu para a valorização do cereal. A intensificação dos conflitos na região do Mar Negro continua comprometendo os embarques de milho da Ucrânia, em razão dos sucessivos ataques à infraestrutura portuária e logística. O aumento dos atrasos nos carregamentos, a menor disponibilidade de navios e a elevação dos riscos operacionais reduziram o interesse de compradores pelo produto ucraniano, direcionando parte da demanda para outras origens exportadoras.
Outro fator de suporte foi a alta do petróleo, que melhora a competitividade econômica do etanol frente aos combustíveis fósseis. Nos Estados Unidos, o milho é a principal matéria-prima utilizada na produção do biocombustível, fortalecendo a expectativa de demanda pelo cereal. Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) mostraram que a produção média de etanol alcançou 1,094 milhão de barris por dia na semana encerrada em 17 de julho, resultado próximo ao limite superior das projeções do mercado, que variavam até 1,1 milhão de barris diários. Os estoques de etanol somaram 24,5 milhões de barris na mesma data, permanecendo dentro do intervalo esperado pelos analistas, entre 24 milhões e 25,9 milhões de barris.