21/Jul/2026
Os preços do milho no mercado spot permanecem pressionados diante da combinação de uma oferta doméstica maior do que a inicialmente esperada e da forte concorrência internacional. A 2ª safra de 2026 robusta de Mato Grosso tem compensado as perdas de produtividade em outros Estados, como Goiás, enquanto Estados Unidos e Argentina ampliam a disputa pelos mercados importadores. Esse conjunto de fatores reduz a atratividade do milho brasileiro nos portos. Embora o Brasil precise escoar o excedente, com projeções de exportação na casa dos 40 milhões de toneladas, concentradas entre agosto e setembro, o milho deve perder espaço logístico para a soja no segundo semestre.
Diante de um mercado interno bem abastecido, os compradores domésticos adotam uma postura defensiva e adiam as compras na expectativa de novas quedas durante o pico da colheita. Para mitigar os custos de armazenagem física, cooperativas avaliam a venda do milho disponível associada à compra de opções de compra para janeiro na B3, capturando eventuais altas na entressafra, quando os estoques estarão mais enxutos. No entanto, o cenário de médio prazo exige cautela, pois, se houver atraso no plantio da soja a partir de setembro, o calendário da 2ª safra de 2027 será severamente comprometido. O mercado ainda está desafiador para o milho.
No Paraná, na região de Ponta Grossa, a comercialização segue pontual e restrita ao consumo regional. A oferta é escassa no interior, com vendedores indicando R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF. Negócios esporádicos de curto prazo são fechados a R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF para atender às necessidades das indústrias locais de ração. O canal de exportação permanece fraco na região. Indicações de tradings oscilam entre R$ 66,00 e R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, valor que, deduzido o frete rodoviário, resulta em menos de R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB, no interior, inviabilizando a originação.
Em Mato Grosso, na região de Campo Verde, o spot registra liquidez em lotes pequenos destinados ao comércio interestadual. Há registro de negócios pontuais a R$ 44,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque e pagamento imediatos, com destino a indústrias de São Paulo e Santa Catarina. No entanto, tradings exportadoras seguem fora das compras e não apresentam preços agressivos. Na região de Primavera do Leste, a sustentação do mercado local vem das usinas de etanol, que pagam de R$ 49,00 a R$ 50,00 por saca de 60 Kg CIF, via cooperativas. Esse patamar supera a paridade de exportação, que recuou para o intervalo de R$ 43,00 a R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2027, indústrias de etanol mantêm as indicações estáveis em R$ 46,00 por saca de 60 Kg CIF, para pagamento em 30 de setembro de 2027.