20/Jul/2026
Os preços do milho apresentaram comportamentos distintos dentre as regiões. Os valores registram alta em algumas regiões, com a retração de vendedores e o início ainda lento da colheita da 2ª safra de 2026. Em outras áreas produtoras, os preços são pressionados pelo avanço das atividades de campo. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra avanço de 0,8% nos últimos sete dias, cotado a R$ 64,87 por saca de 60 Kg. Além dessa região consumidora, os valores também estão em alta em importantes regiões produtoras do estado de São Paulo que ainda não começaram a colheita ou que estão com baixo volume colhido, como em Itapeva e Sorocabana, onde os preços avançaram 1,1% e 1,6%, respectivamente, no mesmo período. Esse cenário de alta também é verificado nas regiões do Sul do País que finalizaram a colheita da safra de verão (1ª safra 2026/2027), como Passo Fundo (RS) e Campos Novos (SC), onde as cotações têm valorização de 1,2% e 0,7%, respectivamente, nos últimos sete dias.
Por outro lado, considerando-se as regiões produtoras que estão atualmente colhendo a 2ª safra de 2026, os preços acumulam queda de 0,8% nos últimos sete dias Sorriso (MT), 0,6% no norte do Paraná, 0,8% em Rio Verde (GO) e 3,6% em São Gabriel do Oeste (MS). O movimento de queda prevalece. Nos últimos sete dias, os preços do milho registram recuo de 0,6% no mercado de balcão (preços pago ao produtor) e de 0,4% no mercado de lotes (negociação entre empresas). De modo geral, parte dos consumidores segue atenta às oportunidades de negócios e parte deles esteve mais ativa no início da semana passada, oferecendo preços mais firmes, no intuito de manter os estoques confortáveis. Porém, vale lembrar que esses compradores mantêm a expectativa de aumento da disponibilidade do cereal nas próximas semanas e a consequente queda nos preços domésticos. Em São Paulo, os vendedores estão retraídos, aguardando o andamento da colheita para aumentar o volume de negócios.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou novas estimativas sobre a produção brasileira 2025/26 que reforçam a expectativa de maior oferta. Apesar das preocupações com a seca em Goiás e das chuvas e das baixas temperaturas no Paraná e em partes da Região Sudeste, o volume projetado aumentou frente ao relatório divulgado em junho e, caso se confirme, será recorde (considerando-se as três safras). Isso porque as condições climáticas favoráveis em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e em partes do Paraná mantêm as boas perspectivas de produção. Na B3, o avanço do dólar frente ao Real e a alta dos preços internacionais resultam em aumento nos futuros. O contrato Set/26 registra valorização de 1,4% nos últimos sete dias, passando para R$ 68,40 por saca de 60 Kg e o Nov/26 tem alta de 1,9%, a R$ 72,16 por saca de 60 Kg. Mesmo com a valorização do dólar e a alta dos preços internacionais, os embarques seguem em ritmo inferior ao do ano passado.
Nos primeiros oito dias úteis de julho, apenas 519,70 mil toneladas de milho foram exportadas, com ritmo diário 39% inferior ao de julho/25, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Segundo dados divulgados pela Conab, a 2ª safra de 2026 agora está estimada em 109,43 milhões de toneladas, 3% inferior ao da temporada anterior, mas 1,5% acima do relatório divulgado em junho, refletindo principalmente os aumentos na produção do Paraná e de Mato Grosso. Para a safra de verão (1ª safra 2025/2026), cuja colheita está no final, os aumentos são de 1% no mês e de 18,7% frente à temporada anterior, a 29,6 milhões de toneladas. Para 3ª safra de 2026, que tinha estimativa de melhora na produção até junho, os dados foram ajustados, devido à falta de chuvas na maior parte das regiões produtoras no Norte e Nordeste do País. Agora, a produção está estimada em 2,69 milhões de toneladas, 17% inferior na comparação mensal e 10% menor entre as safras 2024/25 e 2025/26. No agregado das três safras, a oferta no País deve ser de 141,72 milhões de toneladas, leve aumento de 0,4% em relação à temporada anterior, o que, se concretizado, pode ser recorde.
O consumo interno deve ser de 94,88 milhões de toneladas, e a Conab estima que as exportações possam chegar a 46,5 milhões de toneladas. Caso esse cenário se confirme, os estoques finais em janeiro/27 ficariam em 14,50 milhões de toneladas, 70% superior à média dos últimos cinco anos. O tempo seco na maior parte das regiões voltou a favorecer a colheita da 2ª safra de 2026, que chegou, até o dia 10 de julho, a 38,9% da área nacional, avanço de 10,4% nos últimos sete dias, mas ainda distante da média dos últimos cinco anos, de 46,7%, segundo a Conab. Nos Estados Unidos, os vencimentos futuros iniciaram a semana passada em alta, refletindo os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontaram oferta mundial mais justa, preocupações com o clima seco nas regiões produtoras e aumento das tensões no Mar Negro. No entanto, no decorrer da semana passada, notícias indicando temperaturas mais amenas nas regiões produtoras e as exportações enfraquecidas limitaram os ganhos.
Nos últimos sete dias, os vencimentos Set/26 e Dez/26 negociados na Bolsa de Chicago registram avanço de 2,3% e 2,6%, para US$ 4,41 por bushel e US$ 4,64 por bushel. Segundo dados divulgados no dia 10 de julho pelo USDA, a oferta mundial em 2026/27 pode totalizar 1,29 bilhão de toneladas, 2,3% inferior à da temporada anterior. O consumo é previsto em 1,32 bilhão de toneladas, 1% maior que em 2025/26. As transações internacionais devem se reduzir 4,9% no mesmo comparativo. Porém, com a redução dos estoques finais mundiais em 8%, a relação estoque/consumo passará para 20,9%, a menor desde 2012/13. Quanto às lavouras, de acordo com dados divulgados no dia 12 de julho pelo USDA, 68% da safra de milho dos Estados Unidos está em condição entre boa ou excelente; 24% estão em condições médias e 8%, entre ruins e muito ruins. Na Argentina, a colheita chegou a 62%, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.