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16/Jul/2026

Futuros do milho em alta acompanhando o trigo

Os contratos futuros de milho encerraram a sessão em alta na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (15/07), sustentados pelo forte avanço do trigo e pelas preocupações com a persistência de tempo seco no Cinturão Agrícola (Corn Belt) dos Estados Unidos. O contrato dezembro, referência para a nova safra norte-americana, subiu 9,00 cents (1,95%), e fechou a US$ 4,69 por bushel. O movimento foi acompanhado por outras commodities agrícolas, favorecidas pela atuação de fundos de investimento em meio ao aumento dos riscos geopolíticos.

O principal fator de sustentação para o milho foi o efeito de contágio provocado pela valorização do trigo, impulsionada pelo agravamento das tensões no Mar Negro. Os ataques russos contra a infraestrutura portuária de Odessa, na Ucrânia, e as restrições logísticas no Estreito de Kerch e no Mar de Azov elevaram as preocupações com possíveis interrupções no comércio internacional de grãos. Esse cenário favoreceu a recomposição de posições pelos fundos de investimento, diante da possibilidade de aumento da demanda por milho e trigo dos Estados Unidos.

As condições climáticas também mantiveram prêmios de risco nas cotações. Cerca de 16% das lavouras de milho norte-americanas encontram-se na fase de polinização, considerada a mais sensível ao clima. As previsões da NOAA indicam tempo predominantemente seco nos próximos sete dias para a porção oeste do Meio Oeste, com baixos volumes de chuva em Estados como Minnesota, Iowa, Nebraska, Missouri e as Dakotas. Apesar disso, o USDA mantém 68% das lavouras classificadas entre boas e excelentes. A valorização foi parcialmente limitada pelos dados do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos e pelas perspectivas de ampla oferta na América do Sul.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos (EIA) informou que a produção diária de etanol recuou 53 mil barris na semana encerrada em 10 de julho, para 1,04 milhão de barris por dia, enquanto os estoques aumentaram 463 mil barris, alcançando 24,391 milhões de barris. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a estimativa da produção total de milho na safra 2025/26 para 141,73 milhões de toneladas, impulsionada pela elevação da projeção da 2ª safra para 109,43 milhões de toneladas. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) também aumentou sua estimativa para os embarques brasileiros de milho em julho, para 3,44 milhões de toneladas.