16/Jul/2026
O mercado de milho entra no segundo semestre de 2026, período de maior concentração dos embarques da 2ª safra brasileira, em um ambiente de maior volatilidade, influenciado por fatores geopolíticos, climáticos e pela dinâmica da oferta e da demanda internacional. Embora a concorrência com a Argentina e o fortalecimento da demanda doméstica, especialmente das usinas de etanol de milho, tenham limitado o ritmo das negociações físicas nas últimas semanas, mudanças no cenário externo podem alterar a competitividade das exportações brasileiras. Entre os fatores monitorados pelo mercado estão as ameaças tarifárias do governo dos Estados Unidos contra a União Europeia, com destaque para a Espanha, e as condições climáticas no cinturão produtor norte-americano.
A possibilidade de mudanças nas relações comerciais entre Estados Unidos e Espanha poderá provocar redirecionamento dos fluxos globais de milho, uma vez que o mercado espanhol figura entre os principais importadores de grãos da União Europeia e tradicional comprador do cereal norte-americano. Caso ocorram restrições comerciais, parte dessa demanda poderá ser direcionada ao milho brasileiro no curto e médio prazos. Além das questões geopolíticas, a recente onda de calor e o tempo seco registrados nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos elevaram as preocupações quanto ao potencial produtivo da safra 2026/27. O aumento do risco climático reduziu a vantagem competitiva do milho norte-americano em relação ao produto brasileiro, aproximando as cotações internacionais.
Segundo levantamento da Argus, em 13 de julho, o milho dos Estados Unidos para embarque em agosto foi cotado a US$ 220,40 por tonelada. No Brasil, o milho disponível para embarque pelos portos de Barcarena/Itaqui foi negociado a US$ 220,10 por tonelada, enquanto no corredor Santos/Tubarão a cotação alcançou US$ 220,90 por tonelada. Apesar da maior competitividade relativa do milho brasileiro, o mercado físico permanece com ritmo moderado de negócios. As ofertas de compra para embarques em agosto e setembro continuam limitadas, mesmo sendo esses os meses tradicionalmente responsáveis pelo pico das exportações brasileiras. A competitividade do cereal brasileiro segue pressionada pela oferta argentina.
Para embarque em agosto, o milho brasileiro nos portos de Santos/Tubarão apresentou prêmio de 120,00 centavos de dólar por bushel, enquanto o milho argentino FOB Upriver foi cotado com prêmio de 85,00 centavos de dólar por bushel no mesmo período. Essa diferença de preços tem favorecido a preferência de importadores pelo produto argentino e, em alguns mercados, pelo milho norte-americano, diante da expectativa de que o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 no Brasil exerça pressão baixista sobre os preços internos. Outro fator que influencia a comercialização é o fortalecimento da demanda doméstica. O crescimento da produção de etanol de milho e da indústria de rações mantém elevado o consumo interno do cereal, sustentando os preços e reduzindo a disponibilidade para exportação em condições mais competitivas. Esse cenário eleva os custos de originação para as empresas exportadoras.
Mesmo diante desse ambiente, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta exportações brasileiras de milho em grão próximas de 41 milhões de toneladas em 2026, volume semelhante ao registrado no ano anterior. O avanço da indústria de etanol de milho também amplia o potencial de exportação de coprodutos com maior valor agregado. Entre eles destaca-se o DDGS, ingrediente proteico utilizado na alimentação animal. A recente abertura do mercado chinês para o produto brasileiro é considerada estratégica para ampliar a inserção internacional da cadeia. Até o fim de junho, a China negociou aproximadamente 300 mil toneladas de DDGS produzido no Brasil. As projeções mais otimistas indicam que esse volume poderá alcançar até 1 milhão de toneladas até o encerramento da temporada, favorecido pela maior competitividade do produto brasileiro em comparação ao disponível no mercado doméstico chinês. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.