15/Jul/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir com poucos negócios no curto prazo, devido ao desacordo quanto aos preços entre produtores e compradores. Os produtores aguardam preços mais altos, e os compradores estão confortáveis com o avanço da colheita da 2ª safra de 2026. A exportação ainda se concentra no cumprimento de contratos já programados e não apresenta força suficiente para alterar a dinâmica do mercado interno. O mercado está embarcando o que já estava programado. Pode aparecer algum volume para completar navio, mas aparentemente não há movimento de negócios novos no curto prazo.
As indicações nos portos subiram, saindo de cerca de R$ 63,00 por saca de 60 Kg na semana passada para R$ 66,00 por saca de 60 Kg agora, mas o avanço ainda não provoca maior oferta nas regiões produtoras. O produtor tem priorizado a entrega dos contratos já firmados e retido o restante do cereal, na expectativa de valorização mais adiante. A curva futura oferece remuneração superior ao custo financeiro em alguns vencimentos, o que reforça a estratégia de carregamento do milho. Do lado comprador, a postura continua cautelosa.
Com a colheita da 2ª safra de 2026 ainda abaixo da metade da área e grande volume por entrar no mercado, indústrias e demais consumidores não demonstram urgência para formar estoques. O comprador está em uma posição de conforto, esperando chegar milho. O custo elevado do capital também reduz o interesse em adquirir e carregar produto por períodos mais longos. Os resultados de campo continuam indicando oferta elevada e que a produção pode superar algumas projeções iniciais. Com isso, o físico tende a permanecer estável, enquanto produtores e compradores aguardam maior avanço da colheita e sinais mais claros da demanda de exportação.
Em São Paulo, na região de Campinas, as indústrias de ração seguem como principal destino dos lotes de milho, visto que os preços para exportação estão pouco atrativos na avaliação de produtores. Indústrias locais indicam R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho e prazo de pagamento de 30 dias. Em contrapartida, as indicações de compra nos portos seguem desinteressantes para o vendedor, com tradings indicando R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá (PR), para entrega em agosto e R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF para setembro. No Porto de Santos, exportadoras indicam R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em outubro.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, a comercialização segue em ritmo lento, com as usinas de etanol e indústrias locais temporariamente afastadas das compras spot. Os compradores indicam R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega em agosto e pagamento em setembro, valor que se equipara à paridade atual de exportação. As indústrias de etanol e fábricas de ração não fazem indicações, visto que estão recebendo lotes que foram contratados anteriormente em patamares que variavam de R$ 55,00 a R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB. O produtor local recusa as ofertas no spot e exige pelo menos R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB. A estratégia dos produtores é estocar e adiar as vendas.