14/Jul/2026
Os preços no mercado brasileiro de milho devem permanecer sem força para uma recuperação consistente no curto prazo. Além disso, depois de semanas concentrado na colheita da 2ª safra de 2026, o mercado passa a avaliar se o Brasil conseguirá escoar o excedente da produção em um cenário de forte concorrência internacional. A depender desse desempenho, as cotações podem reagir ou se deprimir mais ainda. A pressão típica da colheita ainda predomina, mas o ritmo das exportações começa a ganhar importância na formação dos preços. A projeção de exportação, pelo Brasil, de 42 milhões de toneladas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), diante do line-up ainda inferior ao de igual período do ano passado e da maior competição com embarques da Argentina.
Há espaço para uma redução das exportações. Ao mesmo tempo, o balanço doméstico pode não ficar tão folgado quanto indicam as estimativas atuais. Ainda há espaço para revisões negativas na produção em algumas regiões atingidas por problemas climáticos, o que pode compensar parte de uma eventual redução dos embarques. Apesar desse ajuste potencial na oferta, o viés continua baixista enquanto o mercado não enxergar melhora na competitividade do milho brasileiro no exterior. O consumo doméstico segue firme e ajuda a limitar um aumento mais expressivo dos estoques, mas uma recuperação mais consistente dos preços dependerá principalmente do desempenho das exportações entre agosto e setembro e da capacidade do Brasil de disputar espaço no mercado internacional.
No Paraná, na região de Ponta Grossa, a escassez de ofertas e a postura defensiva dos produtores travam a liquidez de grandes volumes. Os produtores que possuem estrutura de armazenamento e não têm necessidade urgente de liquidação fixam suas indicações em R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF no disponível. As fábricas de ração indicam R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF. As tradings indicam entre R$ 66,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, patamar considerado pouco atrativo para o produtor. O fluxo voltado ao mercado externo só deve ganhar força após o mês de agosto, com a definição completa do quadro de oferta.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, a colheita da 2ª safra de 2026 segue avançando, mas o mercado local permanece operando em ritmo pontual, a depender da necessidade de uma das pontas. O milho disponível para retirada imediata e faturamento rápido segue cotado a R$ 44,50 por saca de 60 Kg FOB, subindo para R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega programada ao longo de setembro, para indústrias de etanol. Para a entrega em agosto e pagamento em setembro, a indicação sobe para R$ 47,00 por saca de 60 Kg CIF, alcançando R$ 50,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em outubro e pagamento em novembro, e encontrando o teto de R$ 51,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega e liquidação em novembro. O canal de exportação deve ganhar fôlego apenas a partir de setembro.