10/Jul/2026
Os preços do milho no mercado interno podem ter atingido o piso após semanas seguidas de pressão vinda da colheita. A evolução das exportações deve definir o comportamento das cotações nos próximos meses. A entrada da 2ª safra de 2026 elevou a oferta, enquanto a demanda doméstica permanece relativamente lenta. Mesmo com o aumento da oferta e uma demanda um pouco mais lenta, os preços não caem. O foco do mercado começa a migrar da produção para o ritmo dos embarques. Com a formação do line-up de exportação, a demanda externa tende a ganhar participação nas próximas semanas, e o desempenho dos embarques entre setembro e novembro será determinante para confirmar se os contratos futuros conseguem sustentar os níveis atuais ou voltar a recuar.
A incerteza sobre o tamanho da 2ª safra de 2026 também diminuiu. A colheita em Mato Grosso já avançou significativamente e Goiás intensifica os trabalhos. O Paraná também começou a retirar o cereal do campo, com produtividades consideradas boas. O mercado já incorporou as perdas registradas em parte das regiões produtoras e tem uma visão mais clara do potencial da 2ª safra de 2026. Nesse cenário, o mercado físico permanece travado, com compradores e vendedores pouco ativos, enquanto as exportações passam a ser o principal fator para uma eventual recuperação dos preços. Nas regiões de Maringá (PR) e Sinop (MT), já se observa o movimento mais intenso para exportação.
No Paraná, na região de Maringá, as indicações de preço para exportação estão entre R$ 66,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega a partir de agosto e pagamento em setembro. Diante do direcionamento dos lotes para a exportação, os compradores do mercado de ração e proteína animal estão sem parâmetros claros de negociação de curto prazo. As fábricas tentam balizar suas compras, mas esbarram na escassez de ofertas para entrega imediata.
Em Mato Grosso, na região de Sinop, os trabalhos de campo fluem em ritmo acelerado. Embora as indústrias de etanol e ração estejam bem abastecidas para o curto prazo, o mercado diferido para entregas em agosto, setembro e outubro com liquidação financeira em outubro encontra sustentação firme no patamar de R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB. Na exportação, com negociação via cooperativas, a posição para agosto tem liquidez a R$ 47,00 mercado diferido FOB. Os negócios no disponível ocorrem de forma muito pontual, visto que boa parte dos compradores já encerrou as compras para o mês, a R$ 40,00 mercado diferido FOB, para pequenos lotes.