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10/Jul/2026

Grãos: tensão no Estreito de Ormuz amplia riscos

A escalada das tensões no Estreito de Ormuz amplia os riscos para os mercados de energia, diesel e fertilizantes, mas ainda não foi suficiente para sustentar os preços internacionais de grãos e oleaginosas. Segundo a StoneX, o mercado segue monitorando os desdobramentos no Oriente Médio, porém a redução das expectativas de calor nos Estados Unidos diminuiu o prêmio climático incorporado às cotações na Bolsa de Chicago nos últimos dias. O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz desacelerou, embora não tenha sido interrompido, após ataques iranianos a embarcações. Parte dos navios permanece parada ou alterou suas rotas, enquanto os custos dos seguros marítimos aumentaram significativamente. Os prêmios de seguro, anteriormente próximos de 2% do valor da embarcação, passaram para cerca de 3%, podendo alcançar até 5% em alguns casos. O principal impacto imediato concentra-se no mercado de energia.

O petróleo voltou à faixa de US$ 74,00 por barril, refletindo preocupações com inflação e possíveis restrições aos fluxos logísticos na região. No segmento de fertilizantes, o maior risco está relacionado aos fosfatados, uma vez que aproximadamente metade do enxofre utilizado na produção mundial de fosfato tem origem na região do Golfo. Ainda assim, esse fator não representa, por enquanto, um problema imediato para a produção agrícola, devido ao efeito residual das aplicações anteriores nos solos. Para os fertilizantes nitrogenados, os impactos seriam mais relevantes apenas em um cenário de bloqueio total do Estreito, hipótese que o mercado ainda não precifica. O diesel também permanece no foco dos agentes de mercado. Ataques ucranianos a refinarias russas reduziram a disponibilidade do combustível na Rússia, levando o país a suspender exportações e recorrer a importações. Como a Rússia é o segundo maior exportador mundial de diesel, essa situação pode elevar os custos globais do combustível, afetando tanto a colheita europeia quanto o plantio da próxima safra brasileira.

O Brasil normalmente importa cerca de 20% de sua demanda de diesel da Rússia e, na ausência dessa oferta, tende a ampliar compras dos Estados Unidos. Apesar desse ambiente geopolítico, os contratos futuros de grãos voltaram a recuar. A alta registrada no início da semana foi motivada pelas preocupações com o clima durante a polinização do milho e o início da formação de vagens da soja nos Estados Unidos. Entretanto, novos modelos meteorológicos passaram a indicar temperaturas mais moderadas e maior ocorrência de chuvas, reduzindo o risco climático para as lavouras. Na soja, a China comprou 600 mil toneladas dos Estados Unidos, para embarques entre setembro e outubro. O volume representa menos de 2,5% do compromisso de importação de 25 milhões de toneladas assumido pela China para o próximo ano comercial. Este é o período em que tradicionalmente começam as aquisições de soja norte-americana, mas o cumprimento integral desse compromisso ainda dependerá das decisões políticas e comerciais entre Estados Unidos e China.

A soja dos Estados Unidos ainda não apresenta competitividade suficiente, mesmo com a perspectiva de retirada da tarifa adicional de 10% até o período de embarque. No milho, a eventual eliminação dessa tarifa teria maior efeito sobre a competitividade, embora a demanda chinesa permaneça limitada neste momento, com eventuais compras destinadas principalmente à formação de estoques estratégicos. A evolução da demanda chinesa, das negociações comerciais entre Estados Unidos e China e das condições climáticas nas regiões produtoras norte-americanas continuará determinando a direção dos mercados. Caso as compras chinesas avancem e ocorram novos riscos climáticos, o balanço de oferta dos Estados Unidos poderá se tornar mais ajustado. Em contrapartida, se esses fatores não se confirmarem, parte do suporte recente às cotações tende a perder força. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.