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09/Jul/2026

Futuros do milho recuam com realização de lucros

Os contratos futuros de milho encerraram em baixa nesta quarta-feira (08/07) na Bolsa de Chicago, pressionados por realização de lucros após as fortes altas registradas nas sessões anteriores e pela ausência de novos anúncios de vendas externas ao longo do dia. O vencimento dezembro recuou 8,00 cents, equivalente a 1,72%, e fechou a US$ 4,56 por bushel. Apesar do movimento de correção, as perdas foram limitadas pelas preocupações com o clima na Europa, na Ucrânia e nos Estados Unidos. A União Europeia enfrenta a terceira onda consecutiva de calor, com impactos sobre as lavouras francesas. A classificação do milho da França em condição boa ou excelente caiu de 84% há três semanas para 76% e, posteriormente, para 58%, ante 78% no mesmo período do ano passado. O mercado já considera uma redução de produtividade entre 10% e 20% na França, com estimativa de produção entre 9 milhões e 10 milhões de toneladas, abaixo das 13,2 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.

A seca crescente na Ucrânia também permanece no radar, com riscos para o milho e culturas de inverno do país. Pelo lado da demanda, compradores do Oriente Médio retomaram aquisições de milho e farelo de soja em volumes relevantes. O movimento ocorre junto às especulações sobre possível retorno da China ao mercado norte-americano de milho, embora não tenha havido confirmação de novas vendas para o país asiático nesta quarta-feira. Nos Estados Unidos, o clima também gera preocupação, com registros de estresse térmico em áreas das Planícies e do Meio Oeste durante a entrada do cereal na fase de polinização, período considerado decisivo para a definição do potencial produtivo. Ao contrário da soja e do óleo de soja, o milho não recebeu suporte direto da forte valorização do petróleo.

A transmissão dos ganhos da energia para o cereal permanece limitada pela indefinição sobre a autorização para venda do combustível E15 durante todo o ano nos Estados Unidos, medida que segue em análise no Senado norte-americano. O mercado de biocombustíveis também trouxe pressão adicional. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) informou que a produção diária de etanol recuou para 1,093 milhão de barris por dia, no limite inferior das estimativas do mercado. Os estoques diminuíram para 23,928 milhões de barris, menor nível desde o início do ano. Os agentes agora aguardam o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para sexta-feira (10/07), que poderá revisar projeções de produção, consumo e estoques para a safra 2026/27. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a colheita do milho 2ª safra de 2026 alcançou 28,5% da área cultivada no Centro-Sul.