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09/Jul/2026

Grãos: China e clima nos EUA sustentam futuros

Segundo a StoneX, os contratos futuros de grãos negociados na Bolsa de Chicago seguem sustentados por uma combinação de fatores altistas, entre eles as condições climáticas adversas nos Estados Unidos e na Europa, as compras chinesas de soja norte-americana, a retomada das tensões no Oriente Médio, preocupações logísticas na Rússia e a cobertura de posições vendidas por fundos de investimento. No entanto, a continuidade do movimento de alta dependerá, principalmente, da manutenção de compras regulares de soja e milho pelos importadores chineses. No mercado da soja, o principal fator de suporte recente foi o retorno da demanda chinesa. Rumores sobre uma melhora nas relações comerciais entre Estados Unidos e China impulsionaram as cotações antes mesmo da confirmação de compras pela estatal chinesa Cofco.

As aquisições inicialmente confirmadas somaram cerca de 300 mil toneladas de soja norte-americana, com estimativas indicando que o volume total pode alcançar até 600 mil toneladas. O mercado também passou a especular sobre possíveis compras de milho dos Estados Unidos pela China. Esse movimento estimulou a redução de posições vendidas por fundos de investimento. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) mostraram que investidores já vinham diminuindo suas posições líquidas vendidas em soja, milho e trigo antes da valorização observada nesta semana. Paralelamente, houve retomada da demanda internacional, com destaque para a compra de 661 mil toneladas de trigo pela Arábia Saudita e novas aquisições de milho e farelo de soja por importadores da Turquia e de países do Oriente Médio.

No mercado de milho, o principal vetor de sustentação continua sendo o clima. A Europa enfrenta a terceira onda consecutiva de calor, com impacto significativo sobre as lavouras francesas. A classificação das áreas em condições boas ou excelentes caiu de 84% para 58% em apenas três semanas, frente a 78% no mesmo período do ano anterior. O mercado já trabalha com redução de produtividade entre 10% e 20%, projetando produção francesa entre 9 milhões e 10 milhões de toneladas, abaixo das 13,2 milhões de toneladas colhidas na safra passada. Além da Europa, persistem preocupações com a seca na Ucrânia, que ameaça tanto o milho quanto algumas culturas de inverno. Nos Estados Unidos, áreas das Planícies e do Meio Oeste enfrentam temperaturas elevadas justamente durante a fase de polinização do milho, considerada decisiva para o potencial produtivo da safra.

No cenário geopolítico, a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã voltou a influenciar os mercados. Os ataques envolvendo o Estreito de Ormuz impulsionaram os preços do petróleo, ampliando o suporte às commodities agrícolas. Na Rússia, ofensivas contra refinarias levantaram preocupações sobre possíveis dificuldades no fornecimento de combustíveis durante a colheita, embora avaliações locais indiquem que o impacto sobre as operações agrícolas tende a ser limitado. O fator determinante para a manutenção do atual movimento de valorização será a consistência das compras chinesas. Caso a China mantenha um programa contínuo de aquisições de soja e milho norte-americanos, o mercado poderá sustentar o rali. Na ausência desse fluxo regular de demanda, as cotações tendem a perder parte do suporte recente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.