08/Jul/2026
O mercado brasileiro de milho pode ter uma semana de maior movimentação comercial, apoiado pela elevação das referências de exportação e pela recuperação dos contratos na Bolsa de Chicago, mas a entrada da 2ª safra de 2026 ainda limita uma alta mais consistente no físico. Os portos começaram a semana com indicações cerca de R$ 1,50 por saca de 60 Kg acima da semana passada, o que pode estimular algum ajuste no mercado interno. A alta ainda não configura uma tendência firme no Brasil, porque a colheita segue como principal fator de curto prazo.
A retirada do milho do campo está atrasada em algumas regiões, especialmente por causa da umidade, mas deve ganhar ritmo agora, inclusive no Paraná, segundo maior produtor de 2ª safra. O comprador permanece confortável, já que espera maior disponibilidade do grão nas próximas semanas. Ainda assim, a reação nos portos pode destravar parte dos negócios após quatro a cinco semanas de baixa liquidez. O mercado físico segue em ritmo semelhante ao visto na semana anterior, com poucos negócios e distanciamento entre as pontas.
Em São Paulo, na região de Campinas, indústrias de ração indicam R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF. Os vendedores indicam R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, inviabilizando negócios. Com o tempo firme acelerando os trabalhos de campo, os compradores adotam uma postura defensiva, administrando os estoques ao máximo e postergando as compras na expectativa de que o pico da colheita aumente a pressão de oferta. No canal de exportação, as indicações de tradings para o Porto de Paranaguá (PR) flutuam entre R$ 62,50 e R$ 64,50 por saca de 60 Kg CIF, a depender do prazo de pagamento, enquanto no Porto de Santos (SP) as exportadoras indicam R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em setembro e pagamento em outubro.
Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, a comercialização da 2ª safra de 2026 segue com liquidez pontual. As fábricas de ração indicam até R$ 44,00 por saca de 60 Kg FOB no disponível, enquanto a ponta vendedora indica R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB. O cenário para escoamento via exportação mostra um quadro ainda mais crítico, com tradings indicando R$ 42,00 por saca de 60 Kg FOB. O ambiente comercial não deve apresentar nenhuma alta consistente nos meses de agosto e setembro, período após o pico da colheita da 2ª safra de 2026. Uma reação mais sólida nos preços só deve se desenhar a partir de outubro, quando o fluxo logístico imediato começar a se arrefecer.