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08/Jul/2026

El Niño e demanda chinesa definem cenário global

Segundo a StoneX, o mercado internacional de milho apresenta dinâmicas distintas na segunda metade de 2026, com as cotações passando a depender principalmente da evolução das condições climáticas nos Estados Unidos e do comportamento das importações da China. Após um primeiro trimestre marcado pela recuperação dos preços, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio e pelas interrupções no Estreito de Ormuz, o segundo trimestre foi caracterizado por desvalorização dos contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago. O movimento refletiu o avanço favorável das safras na América do Sul e o bom desenvolvimento do plantio da nova temporada norte-americana.

O mercado concentra agora sua atenção sobre o desenvolvimento da safra dos Estados Unidos sob influência do fenômeno El Niño. No lado da demanda, o consumo doméstico norte-americano permanece limitado, com a expansão da produção de etanol restringida por entraves legislativos e o consumo de milho para ração contido em função dos rebanhos próximos aos menores níveis históricos. Entre os principais fatores de sustentação para os preços, destaca-se o comportamento da demanda chinesa. As importações de milho da China acumulavam crescimento de 39,4% até maio em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Uma eventual quebra da safra chinesa em decorrência do El Niño poderá ampliar a necessidade de compras externas. Outro fator observado é o recente acordo comercial firmado entre Estados Unidos e China, que prevê a aquisição de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos. Em um ambiente de estoques elevados nos Estados Unidos, o milho poderá ser um dos produtos beneficiados caso a demanda chinesa aumente. Para a próxima safra da América do Sul, a projeção é de redução da área cultivada em razão da combinação de custos elevados e preços deprimidos. Na Argentina, a tendência é de maior participação da soja no sistema de rotação de culturas, reduzindo a produção de milho após a colheita recorde obtida neste ciclo.

No Brasil, os elevados custos de produção também limitam a expansão da área destinada à 2ª safra de milho. Parte dos produtores poderá direcionar áreas para culturas com maior potencial de rentabilidade, como algodão e sorgo. No mercado interno, a crescente demanda das usinas produtoras de etanol de milho continua reduzindo a disponibilidade de grãos para exportação. O consumo anual do setor já se aproxima de 30 milhões de toneladas, ampliando a concorrência pelo milho disponível e contribuindo para limitar o excedente exportável brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.