08/Jul/2026
A AgResource avalia que a redução dos estoques globais de soja, milho e trigo ocorre em ritmo superior ao esperado pelo mercado, tornando as cotações mais sensíveis a eventuais problemas de oferta. Diante desse cenário, a consultoria passou a recomendar compras em momentos de correção dos preços e adotou uma perspectiva mais positiva para os mercados de grãos nos próximos nove meses. Para a soja, a AgResource reduziu levemente sua estimativa de produtividade nos Estados Unidos para 3,53 toneladas por hectare. Embora o ajuste seja inferior a 1%, a revisão é suficiente para reduzir os estoques combinados entre Estados Unidos e América do Sul ao menor nível desde a safra 2011/12, considerando uma relação entre estoques e consumo mais apertada. A projeção parte da premissa de condições climáticas normais na América do Sul durante o próximo ciclo, o que reduz a margem para novos problemas de oferta.
A demanda chinesa pode intensificar esse aperto. O aumento de aproximadamente 46 mil contratos em aberto nos futuros de soja indica que a China não apenas realizou compras de seis a oito carregamentos de soja norte-americana, mas também pode ter fixado preços para aquisições futuras. A possibilidade de uma visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos em setembro também pode favorecer novos negócios envolvendo soja e milho. No mercado de milho, a AgResource reduziu sua estimativa de produtividade norte-americana para 11,36 toneladas por hectare. A safra apresenta desempenho mediano, com 67% das lavouras classificadas entre boas e excelentes, percentual alinhado à média histórica, mas inferior aos 74% registrados no mesmo período do ano passado. Além disso, uma nova onda de calor deverá atingir importantes regiões produtoras, com temperaturas próximas de 38°C nas Dakotas.
Na Europa, as condições climáticas são consideradas mais preocupantes. A França, principal produtora agrícola da União Europeia, deverá registrar apenas 43 milímetros de chuva entre junho e julho, menos da metade da média histórica, enquanto as temperaturas podem atingir 39°C nas principais regiões produtoras. Em consequência, a AgResource reduziu suas estimativas para a produção de milho na França e na Espanha. Com essas revisões, a produção mundial de milho na temporada 2026/27 deverá recuar pelo menos 35 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, ficando cerca de 23 milhões de toneladas abaixo do consumo global. A relação entre estoques e uso dos principais países exportadores poderá cair para aproximadamente 8,1%, um dos menores níveis já registrados. O mercado físico de milho em Mato Grosso provavelmente já atingiu seu fundo sazonal entre o fim de junho e o início de julho.
No trigo, o cenário também se mostra mais restritivo. A redução da área cultivada com trigo de primavera no Canadá, aliada à menor produção prevista nos Estados Unidos e na Rússia e à seca na Europa, eliminou o excedente de oferta observado há um ano. A produção exportável global deverá diminuir cerca de 57,3 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, reduzindo a relação entre estoques e consumo para aproximadamente 13,1%, patamar semelhante ao menor nível registrado desde 2007. A temporada 2026/27 já apresenta características de um ciclo de redução dos estoques globais dos três principais grãos, aumentando a sensibilidade do mercado a qualquer interrupção na oferta e elevando o potencial de volatilidade das cotações ao longo dos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.