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08/Jul/2026

Etanol de Milho: setor contesta as tarifas dos EUA

A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) defendeu, durante audiência pública da investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos no âmbito da Seção 301 nesta terça-feira (07/07), que novas tarifas não sejam aplicadas sobre o etanol brasileiro. O comércio bilateral entre os dois países não demonstra prejuízos à indústria norte-americana e defendeu maior cooperação para ampliar o mercado global de biocombustíveis. A manifestação ocorreu em painel que reuniu representantes das principais entidades do setor de etanol do Brasil e dos Estados Unidos. A Unem destacou que os dois países são os maiores produtores mundiais de etanol e possuem interesses convergentes diante do crescimento da demanda internacional por combustíveis renováveis. Brasil e Estados Unidos devem concentrar esforços na abertura de novos mercados para biocombustíveis, incluindo oportunidades futuras relacionadas ao combustível sustentável de aviação e ao combustível marítimo, em vez de ampliar disputas comerciais entre os dois países.

Durante a audiência, a Unem também contestou a avaliação de que a tarifa brasileira de 18% sobre o etanol importado restringe o acesso do produto norte-americano ao mercado nacional. A alíquota corresponde à tarifa de nação mais favorecida (MFN), aplicada a países que não possuem acordos comerciais preferenciais com o Brasil. Os Estados Unidos aplicam tarifa de importação de 2,5% sobre o etanol brasileiro, argumentando que existe reciprocidade na relação comercial entre os dois países. A redução das exportações norte-americanas de etanol para o Brasil ocorreu principalmente em razão da expansão da produção brasileira de etanol de milho, que passou a atender a demanda doméstica durante todo o ano, e não como consequência da tarifa brasileira de importação. Mesmo com a manutenção da alíquota de 18%, as vendas de etanol dos Estados Unidos para o mercado brasileiro voltaram a crescer, reforçando a avaliação de que o comércio entre os países segue baseado em fatores de mercado. A Unem também apontou que a relação entre Brasil e Estados Unidos possui caráter complementar. O crescimento da indústria brasileira de etanol de milho ampliou a aquisição de equipamentos, tecnologias e insumos norte-americanos, além de estimular investimentos de empresas dos Estados Unidos no Brasil.

A entidade citou ainda medidas recentes, como o aumento da mistura obrigatória de etanol à gasolina e os esforços para ampliar a certificação de produtores norte-americanos no RenovaBio, como exemplos de abertura do mercado brasileiro à participação internacional. A investigação comercial representa continuidade de uma demanda apresentada pelo setor norte-americano de etanol para ampliar o acesso ao mercado brasileiro. O setor de etanol foi apontado como o único segmento nominalmente investigado dentro do processo, enquanto outros temas analisados envolvem questões transversais, como comércio digital, sistema de pagamentos instantâneos e desmatamento. A expectativa da Unem é que o governo dos Estados Unidos conclua a investigação até o fim de julho e anuncie as medidas que pretende adotar. A entidade informou que já apresentou seus comentários e manifestações dentro do prazo estabelecido e aguarda a continuidade dos procedimentos oficiais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.