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03/Jul/2026

Preço deve se manter pressionado no 3º trimestre

O avanço da colheita da 2ª safra de 2026 deve manter o mercado brasileiro de milho pressionado ao longo do terceiro trimestre, mesmo com a alta recente das cotações na Bolsa de Chicago. O cenário doméstico continua dominado pela entrada da oferta, enquanto fatores externos tendem a produzir efeitos apenas mais adiante. A alta observada nos contratos futuros internacionais trouxe apenas sustentação pontual aos preços, sem alterar a dinâmica do mercado brasileiro. A colheita da 2ª safra de 2026, os custos elevados de logística no interior e o volume disponível continuam sendo os principais determinantes das cotações. Apesar das perdas registradas em Estados como Minas Gerais e Goiás, a produção segue suficiente para atender à demanda doméstica e manter um excedente exportável relevante. O mercado entrou no consenso de uma safra entre 110 milhões e 111 milhões de toneladas.

Ainda é uma safra cheia para atender o mercado interno e sobram, no mínimo, 40 milhões de toneladas para exportação. Uma mudança mais consistente de cenário dependerá do desempenho das exportações ou de uma alteração no câmbio. Caso a demanda externa surpreenda positivamente, impulsionada por restrições de oferta em outros países, o mercado poderá reagir mais à frente. Antes de o mercado enxergar exportações acima do esperado, o curto prazo é muito confortável em volume e preços. Muitos produtores passaram a rever a estratégia de retenção da soja, diante da falta de recuperação das cotações da oleaginosa no segundo semestre. Com a liberação gradual de espaço nos armazéns, parte desse milho poderá ser retida, na expectativa de preços mais elevados no fim do ano e no início de 2027. Contudo, enquanto a colheita avança, a leitura predominante continua sendo de ampla oferta e baixa pressão compradora.

Em Mato Grosso, na região de Campo Verde, o milho disponível no spot imediato opera na faixa de R$ 43,00 por saca de 60 Kg FOB. No canal de exportação, negócios pontuais são registrados a R$ 44,00 por saca de 60 Kg FOB, em compra direta com o produtor. Para embarque e pagamento em agosto, tradings indicam R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB. Por outro lado, as vendas faturadas via cooperativas ganham R$ 3,00 por saca de 60 Kg, elevando as cotações de julho para R$ 47,00 por saca de 60 Kg FOB e as de agosto para R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB. No Paraná, na região de Guarapuava, a comercialização de milho é pontual em função do distanciamento de preços entre compradores e vendedores. Indústrias de proteína animal e rações testam o mercado com indicações entre R$ 58,00 e R$ 59,00 por saca de 60 Kg CIF. No entanto, a ponta vendedora retira lotes de circulação e fixa a oferta mínima entre R$ 61,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF, inviabilizando negócios de grande volume.