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02/Jul/2026

EUA: demanda limita novas quedas nos preços

Segundo a AgResource, os relatórios divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam a percepção de que o balanço de oferta e demanda de milho norte-americano está mais ajustado do que o mercado vinha precificando, reduzindo o espaço para novas quedas das cotações. O comportamento dos preços passa a depender, principalmente, da evolução das condições climáticas e da demanda global ao longo dos próximos meses. O principal fator observado nos dados do USDA foi a confirmação do forte consumo doméstico de milho nos Estados Unidos, especialmente para alimentação animal e uso residual.

O aumento do peso médio de bovinos, suínos e aves tem ampliado a demanda por milho e farelo, reforçando o consumo interno de grãos. Os estoques norte-americanos em 1º de junho aumentaram cerca de 16,5 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho confirma que o balanço do cereal permanece menos folgado do que indicavam as expectativas do mercado. Esse cenário ganha importância justamente no início do período mais sensível para a definição da safra norte-americana. O mês de julho concentra uma etapa decisiva do desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, tornando as condições climáticas um dos principais fatores para a formação dos preços.

Eventuais problemas climáticos tanto nos Estados Unidos quanto na América do Sul poderão provocar reações rápidas nas cotações internacionais. Mesmo sob um cenário de clima considerado normal, a AgResource projeta que os estoques finais de milho dos Estados Unidos poderão recuar para aproximadamente a 38,1 milhões de toneladas na safra 2026/27. Mesmo considerando produtividade recorde, a expectativa é de estoques próximos de 45,7 milhões de toneladas, patamar que ainda não representa recomposição significativa da oferta. A combinação entre estoques iniciais menores e demanda aquecida, especialmente nas exportações, acelera o ajuste do balanço norte-americano.

A expectativa de retomada das compras pela China e o elevado consumo dos importadores tradicionais sustentam a demanda internacional, enquanto a seca observada na Europa tende a ampliar a necessidade de importação de milho e favorecer as exportações dos Estados Unidos. O processo de absorção do excedente de milho ocorre de forma mais rápida do que em ciclos anteriores de elevada oferta. A combinação entre ajustes de área plantada, riscos climáticos e demanda firme reduz o tempo necessário para reequilibrar o mercado.

No mercado de trigo, a consultoria projeta aperto ainda mais intenso. A expectativa é de que os estoques finais norte-americanos da safra 2026/27 recuem para cerca de 700 milhões de bushels, ou 19,1 milhões de toneladas, ou até menos, refletindo a redução da área cultivada com trigo de inverno e ajustes nos estoques da safra anterior. Paralelamente, os estoques globais dos principais países exportadores deverão diminuir aproximadamente 50 milhões de toneladas neste ano. Para a soja, a demanda deve continuar sendo um dos principais vetores de preços. A retomada de consultas da China ao mercado para aquisição de milho e soja elevou a atenção dos participantes, mesmo sem confirmação de negócios, reforçando que a evolução da demanda internacional permanecerá decisiva para o comportamento das cotações dos grãos nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.