01/Jul/2026
O mercado brasileiro de milho não sinaliza mudanças no curto prazo. Os compradores têm situação confortável diante da expectativa de avanço da colheita da 2ª safra de 2026 e de uma oferta ainda elevada. As chuvas no Paraná atrasam temporariamente os trabalhos, mas tendem apenas a concentrar a entrada de produto nas próximas semanas, mantendo a pressão sobre os preços. Mesmo com perdas localizadas provocadas pela seca e pelas geadas registradas recentemente, a 2ª safra de 2026 continua caminhando para um bom volume de produção. Esse quadro mantém os compradores em posição confortável, sem necessidade de antecipar aquisições. A expectativa de maior oferta nas próximas semanas reduz a urgência dos negócios e contribui para um mercado de baixa liquidez.
No cenário internacional, a onda de calor na Europa já provoca perdas em importantes produtores, como França, Alemanha e Ucrânia. Contudo, esse fator tende a influenciar mais os prêmios de exportação do que as cotações na Bolsa de Chicago, que continuam respondendo principalmente ao clima nos Estados Unidos, à demanda da indústria de etanol e às exportações norte-americanas. Para o curto prazo, a expectativa segue sendo de um mercado "acomodado", ainda com leve viés de baixa, enquanto a comercialização da safra brasileira ganha ritmo. No mercado doméstico, o milho é pressionado pela combinação entre o avanço das colheitadeiras no Centro-Sul e a queda das cotações internacionais.
Em São Paulo, na região de Campinas, os produtores indicam R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB, valor rejeitado pelas indústrias de ração. As fábricas indicam entre R$ 58,00 e R$ 59,00 por saca de 60 Kg FOB, aceitando pagar até R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF, apenas para lotes pequenos e de necessidade imediata. As indústrias de São Paulo encontram-se abastecidas com milho originado de outros Estados, que chega às granjas precificado entre R$ 63,00 e R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF, com o ICMS já incluso.
Para exportação, tradings indicam R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá (PR), para entrega para agosto; R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF, para setembro; e R$ 63,50 por saca de 60 Kg CIF, para outubro. Para o Porto de Santos (SP), trading indica R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em outubro e pagamento em novembro. As previsões de tempo aberto e seco para as próximas duas semanas vão acelerar a colheita em São Paulo, intensificando a pressão de oferta no momento em que poucas tradings mostram interesse de compra para os meses de pico (agosto e setembro).
Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, a oferta da 2ª safra de 2026 também pressiona as cotações. No mercado disponível, os preços não atraem o produtor. No spot de curtíssimo prazo, as indústrias locais de etanol e ração indicam R$ 44,00 por saca de 60 Kg FOB, com as propostas subindo para R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB para contratos com entrega programada ao longo do mês de julho.