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30/Jun/2026

Preços seguem pressionados pelo avanço da colheita

O mercado brasileiro de milho deve seguir pressionado no curto prazo, com o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 em Mato Grosso, compradores retraídos e produtores ainda pouco dispostos a negociar. A entrada da oferta no principal Estado produtor deve continuar pesando sobre as cotações, mesmo com quebras localizadas em outras regiões. Os resultados colhidos até agora seguem positivos e mantêm a percepção de uma safra suficiente para abastecer o mercado. Os compradores ainda enxergam espaço para aguardar. Do lado do produtor, a venda também segue limitada. Sem necessidade imediata de caixa, muitos agricultores tendem a priorizar a comercialização da soja e o acompanhamento dos trabalhos de campo.

As chuvas em algumas regiões podem atrapalhar o avanço da colheita e até dar algum suporte pontual aos preços, mas, por enquanto, não mudam a leitura principal do mercado. O produtor precisa avaliar alternativas além de simplesmente carregar o milho à espera de preços mais altos. O custo de armazenagem pode chegar a cerca de R$ 3,00 por saca de 60 Kg, além do risco de perda de qualidade em um cenário de umidade mais elevada. Nesse contexto, a venda com posterior proteção de alta pode ser mais eficiente do que manter o cereal armazenado. Está faltando uma visão mais clara de gestão ativa de risco. Em um ambiente de juros elevados, pode fazer mais sentido vender parte do milho, aplicar os recursos e usar ferramentas de proteção para continuar exposto a eventual alta, em vez de financiar a próxima safra a um custo maior.

No Paraná, na região de Ponta Grossa, a comercialização deve seguir marcada por divergência quanto aos preços entre compradores e vendedores e pela redução de oferta no físico. Como os preços atuais não estão atrativos para os produtores, eles vão segurar o cereal. As fábricas de ração indicam R$ 58,00 por saca de 60 Kg CIF, nível que não encontra vendedores. No entanto, há registro de negócios pontuais a até R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF. Para exportação, tradings indicam entre R$ 64,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em julho e R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em agosto.

Em Mato Grosso, na região de Sinop, as usinas de etanol indicam R$ 48,00 miram o pagamento em outubro FOB (com acréscimo de imposto), para pagamento em outubro ou R$ 46,00 miram o pagamento em outubro CIF, para entrega na unidade produtiva. Em negociação direta com o produtor, o valor cai para R$ 42,00 miram o pagamento em outubro FOB. No horizonte de longo prazo, as indústrias de etanol já começam a consolidar as primeiras estruturas de preço para 2ª safra de 2027. As indicações para o milho do ciclo 2027 são de R$ 46,00 miram o pagamento em outubro CIF, para pagamento em 30 de setembro de 2027.