29/Jun/2026
A queda nas cotações do milho, que vinham sendo pressionadas pelo avanço da colheita da 2ª safra de 2026, foi interrompida em parte das regiões. As baixas temperaturas em algumas regiões do País têm gerado preocupação entre alguns produtores quanto a possíveis impactos sobre as lavouras. Vale lembrar que, por enquanto, não há registro de perdas. Os negócios, por sua vez, seguem limitados pela menor participação de compradores, e muitos desses agentes relatam estar abastecidos no curto e médio prazos. Em São Paulo, a disparidade entre valores ofertados por compradores e pedidos pelos vendedores está maior, limitando as negociações. Os compradores relatam que ainda têm estoques suficientes para atender às necessidades de curto prazo e seguem pressionando as cotações. Os vendedores permanecem firmes, atentos às baixas temperaturas.
O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra alta de 0,6% nos últimos sete dias, cotado a R$ 63,27 por saca de 60 Kg. No entanto, a média nesta parcial de junho, de R$ 63,71 por saca de 60 Kg, é a menor deste ano, em termos nominais. Nos últimos sete dias, os preços registram leves altas de 0,3% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor) e de 0,1% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Na parcial do mês, a média de preços no mercado de balcão acumula queda de 3,5% e, no de lotes, de 2,5%. No mercado futuro, os contratos negociados na B3 recuaram no início da semana passada, pressionados pelo início da colheita. No entanto, nos dias 24 e 25 de junho, as cotações reagiram, influenciadas pela alta nos preços internacionais diante da valorização do petróleo. Na B3, o contrato Julho/26 tem alta de 0,8% nos últimos sete dias, a R$ 64,52 por saca de 60 Kg. O contrato Setembro/26 registra avanço de 1,2% no mesmo período, a R$ 67,91 por saca de 60 Kg.
As chuvas no Centro-Sul limitaram o ritmo da colheita ao longo da semana passada. Há previsão de geadas em regiões do Paraná e de Mato Grosso do Sul, mas não há registro de perdas até o momento. Com isso, a média nacional colhida totalizou 11% da área até o dia 19 de junho, avanço semanal de 4,3%, mas ainda abaixo dos 15% colhidos na média das últimas cinco safras, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), 20,86% da área havia sido colhida até 19 de junho, avanço de 9,57% em relação à semana anterior e 6,78% acima do observado no mesmo período da safra passada. No Paraná, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), as recentes chuvas têm reduzido o ritmo dos trabalhos de campo, fazendo com que apenas 3% da área tivesse sido colhida até o dia 22 de junho, inferior aos 12% verificados no mesmo período de 2025.
O Deral/Seab aumentou a estimativa de produção do milho na 2ª safra de 2026 no Paraná de 17,539 milhões de toneladas no relatório anterior para 17,614 milhões de toneladas, mas ainda 2% inferior à produção da temporada passada, refletindo, principalmente a redução de 4,4% na produtividade média do Estado na safra atual. Em Mato Grosso do Sul, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), apenas 0,2% da área havia sido colhida até 23 de junho, atraso de 4,1% em relação à temporada 2024/25, reflexo do elevado volume de chuvas. Quanto à safra de verão (1ª safra 2025/2026), a colheita somava 93,7% da área nacional até o dia 19 de junho, semelhante aos 92,3% da média dos últimos cinco anos, segundo a Conab. Os preços externos do cereal estão pressionados pelo bom desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, diante das condições climáticas favoráveis no Meio Oeste do país e das expectativas de safra robusta.
No entanto, no dia 25 de junho, os preços reagiram, influenciados pela alta nos preços internacionais do petróleo, o que melhora a competitividade com o etanol (o milho é o principal insumo na produção do etanol nos Estados Unidos). Na Bolsa de Chicago, nos últimos sete dias, os vencimentos Julho/26 e Setembro/26 registram recuo de 0,66% e 0,24%, a US$ 4,14 por bushel e a US$ 4,24 por bushel. No campo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que, até o dia 21 de junho, a semeadura havia sido concluída e que 68% das lavouras norte-americanas estavam em boas e excelentes condições, abaixo dos 70% do mesmo período do ano passado. Na Argentina, o relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicou que a colheita chegou a 51,2% da área nacional até o dia 24 de junho. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.